Mente Sadia: Pode não ser uma depressão

Fevereiro 19, 2011 Nenhum comentário

Com a popularização do termo “depressão”, seja por interesse em encobrir outros estados de alterações de comportamentos ou falta de um diagnóstico mais apurado, pacientes e profissionais da saúde se equivocam no tratamento.

Como depressão é algo que em algum grau todo mundo tem, embora possa ela ser patológica (problema) ou não (faz parte da vida), por um diagnóstico falho ou para dissimular males maiores, por desconhecimento, medo, preconceito, muitas pessoas “tratam” de depressão, quando na verdade estão mais para um estado de personalidade borderline.

O diagnóstico diferencial nem sempre é fácil, mas importantíssimo na conduta.
Até mesmo pacientes borderline são confundidos com bipolares devido à sua instabilidade afetiva e de humor, impulsividade, baixíssima tolerância à frustração. O que os leva, frequentemente, a ter comportamentos socialmente condenáveis.

A convivência com uma pessoa borderline não é fácil, devido à intensidade com que ela vive e se relaciona com outras pessoas. Carentes, impulsivas, vorazes, incapazes de esperar e altamente reativas às frustrações.
São pessoas que estragam de modo evidente a própria vida e a dos outros, sendo incapazes de perceber até que ponto essa tragédia parte delas e é alimentada progressivamente e por elas mesmas.

Assim, seus relacionamentos são marcados por intensos episódios de brigas, em que o ódio pela frustração é motivo para atos sociais muito inadequados.

Pouco tempo depois, a pessoa se sente calma, como se nada houvesse ocorrido, esperando uma reconciliação com a outra parte, que se surpreende com sua imprevisibilidade e as frequentes atitudes desproporcionais aos fatos.
Por suas atitudes, provoca mágoas, ressentimentos, desejo de abandono, desprezo, frieza, o que faz crescer dentro dos pacientes borderline um sentimento de desamparo, falta de conexão com o outro e principalmente consigo mesmos, levando-os, para fugir da solidão, a atos desesperados.

Para esses indivíduos, o ficar só, mesmo que temporariamente, é mais intolerável que ser maltratado.
Buscam no papel de vítima preencher o vazio no seu senso de identidade não integrado. Inicialmente, seus parceiros são identificados como heróis, para logo serem vivenciados como vilões por qualquer mínima falha no relacionamento. O que potencializa a problemática do border-line são suas escolhas amorosas. Buscam por alguém que tome conta deles de modo perfeito, doando-se por inteiro e sempre presente.

Com frequência, reagem às rejeições, ou àquilo que consideram falhas no outro, com intensas manifestações explosivas ou depressão. Daí a confusão entre pacientes depressivos e borderline.

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