Mente Sadia: Desvios e enfrentamentos
Fevereiro 12, 2011 Nenhum comentário
Nos caminhos que percorremos pela vida, encontramos facilidades e facilita-dores, bem como dificuldades e dificultadores; mas não dá para ser de outro jeito, é a vida.
Quando ainda pequenos, somos conduzidos por aqueles que estão no papel de cuidadores, são eles que determinam o que é certo ou errado, conveniente ou não. São eles que transmitem os valores da cultura, como honestidade, esperteza, franqueza, dissimulação, enfrentamento das verdades ou desvios dos fatos.
Com o decorrer do tempo, vamos tirando nossas próprias conclusões, reiterando o aprendido ou modificando o que nos foi passado de forma a atender nossos anseios e desejos. Diante de obstáculos – e eles existem –, nossas atitudes farão a diferença, pois utilizaremos nossas referências internas tanto para superá-las como para fazer delas justificativa para tudo que não damos conta.
Há pessoas que vivem nos desvios, não assumem as responsabilidades do comando da própria vida, não aprenderam a enfrentar as dificuldades.
Na época, os cuidadores achavam que estavam protegendo, poupando aquele indi-viduozinho que teria o resto da vida para aprender.
Com isso, não o instru-mentalizaram para lidar com os problemas; ensinavam a desviar, fazer de conta que não estava acontecendo.
Às vezes, em atitudes simples, os adultos ignoram seus papéis de educadores, tratando crianças e adolescentes como adultos, ou como débeis mentais incapazes de compreender e aprender com as experiências. Equivocam-se no trabalho de serem educadores.
Um exemplo disso: uma criança pequena, de 2 anos aproximadamente, sai correndo, entretida com o brinquedo na mão, tropeça, cai, começa a chorar. O choro, neste momento, pode ter vários significados para a criança.
Ela pode estar chorando porque se assustou ao cair; pode ter se machucado e estar doendo; pode estar com raiva por ter caído de novo, quando na verdade queria estar brincando e não tendo que se levantar; pode ser um pedido de ajuda; um sentimento de inadequação, já que todos ao seu lado estão em pé, enquanto ela foi ao chão como um bebê que não é mais (mesmo sendo).
Um adulto adequado, neste momento, vai acudir a necessidade da criança, após traduzir para si o que realmente aconteceu. Esta é uma regra que em muitos momentos da vida deve ser utilizada: “Me distancio do problema o suficiente para vê-lo melhor e, compreendendo sua amplitude, ajo de acordo com a necessidade”.
Diferentemente da mãe da criança de aproximadamente 2 anos, que avança feito uma galinha choca em cima da criança, e ansiosamente diz: “Não foi nada! Não precisa chorar”.
Como não foi nada? E prossegue: “Mas foi você mesmo que correu”. Neste momento, a mãe está pondo a culpa na criança por ter caído e se eximindo, se desculpando pelo ocorrido. Por que ela precisou lembrar a criança de que foi ela mesma que provocou o acidente? Seria a mãe tentando justificar a sua falta de cuidados?
Naquele momento, o mais apropriado seria ajudar a criança a levantar-se, dizendo algo mais ou menos assim: “Você caiu, vamos ver se machucou, estou aqui para te ajudar”.
Isto que chamei de simplicidade, enfrentar os fatos, resolver na medida do possível a questão, ao contrário de negá-la – “NÃO FOI NADA” –, de culpas: “Foi você que correu”. Não precisa desses desvios, é só enfrentar a situação e ajudar o outro, neste caso a criança, a fazê-lo com naturalidade.
O enfrentamento dos problemas passa por um grau de maturidade e sanidade, seja em que idade for.
