Francamente: A paixão do Fenômeno

Fevereiro 19, 2011 Nenhum comentário

Nesta semana, a ficha caiu para o meu filho: “Pai, quem não é corintiano torce contra o Corinthians, não é verdade?”. “Verdade”, respondi, ciente de que uma criança de 7 anos já tem condições de encarar alguns percalços da vida. E não, não é óbvia a resposta. Tem muito são-paulino que não está nem aí para o Grêmio ou cruzeirense que não se importa nem um pouco com o Palmeiras.

Mas a cada jogo, a Fiel sabe que será ela contra a rapa. Talvez a paixão que o corintiano tem pelo seu time seja diretamente proporcional à antipatia das demais torcidas. Pode ser que o fanatismo que impede o torcedor do Timão de esmorecer mesmo nas maiores derrotas, como essa recente para um desconhecido Tolima, cause irritação nos demais, porque não compreendem.

São suposições, aqui colocadas com todo cuidado para que não pareçam provocação ou arrogância. Porém, o tanto de e-mails que recebi após a desclassificação do Corinthians na Libertadores e a alegria incontida dos rivais foram impressionantes. Muitos amigos – e outros nem tanto – enchendo minha caixa postal com piadas, das mais engraçadas às mais tolas, não importava, desde que pudessem manifestar a satisfação pelo fracasso do meu time. Um jornalista que escreve sobre música num grande diário deitou tinta para avisar que para ele o ano já estava ganho.

Muitos outros, anônimos ou não, seguiram nessa linha. Mais que torcer para os seus times, o negócio é secar o Corinthians. Vinha pensando em quão interessante é esse fenômeno quando, de surpresa, ele, o Fenômeno, anunciou sua aposentadoria. Estava cumprindo a promessa que fizera quando chegou ao Timão, em 2008, de que não vestiria mais outra camisa.

Na coletiva de imprensa, dedicou um longo capítulo, o mais emocionado – e emocionante – de todos, ao Corinthians. Disse que não conseguiria mais imaginar sua vida sem ter vestido a camisa alvinegra. Afirmou que nunca, em sua longa carreira, tinha se apresentado para uma torcida mais vibrante e apaixonada.

Do alto de uma trajetória que passou por nada menos que Real Madrid e Barcelona, Milan e Inter de Milão, Ronaldo declarou amor eterno ao Timão. E olha que estamos falando de um carioca, que um dia sonhou em se aposentar vestindo o uniforme do time para o qual torcia na infância, o Flamengo.

Contudo, assim como outro carioca, o Marcelinho, Ronaldo sabe que o escudo do Corinthians estará tatuado para sempre em sua alma. E não foram os títulos que deixaram essa marca. Foi a paixão de uma torcida de verdade, não de meia dúzia de baderneiros que nem sabem o que é futebol. Não recebi nenhum e-mail sacaneando as lágrimas de Ronaldo. Mas, nas entrelinhas, pude ler: “respeito”.

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