Cai total de parto entre mais jovens

Fevereiro 12, 2011 Nenhum comentário

De 2000 a 2008, o total de nascimentos no Brasil apresentou uma queda de aproximadamente 10%. Essa foi uma redução verificada em quase todas as regiões brasileiras (a Norte é a única exceção) e registrada, principalmente, entre as mães mais jovens. É o que revela o capítulo “Como nascem os brasileiros”, da publicação “Saúde Brasil 2009”, lançada anualmente pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde.

O total de nascimentos do Brasil passou de 3,2 milhões em 2000 para 2,9 milhões em 2008. A queda foi verificada no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste brasileiros.
No Norte, houve aumento de 8,2% no número de nascimentos. Mas esse crescimento pode ser atribuído à melhoria da cobertura do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) – ampliada de 88% para 92% no país como um todo – e não necessariamente a um aumento real da intensidade da natalidade no Norte.
Os partos das mães mais jovens foram os que apresentaram maior redução: os grupos etários de 15 a 19 anos e de 20 a 24 anos concentraram 93% desta queda. No entanto, a fecundidade do país como um todo ainda é muito precoce: do total de partos registrados em 2007, 20% foram de mães com idades entre 15 e 19 anos e 29%, na faixa dos 20 aos 24. As regiões Norte e Nordeste são as que têm o maior número de partos nas faixas etárias mais jovens.

“Mas esta é uma realidade que começa a mudar. A partir de 2003, aumentou a idade média das mães no momento do parto, revertendo a tendência de aumento da fecundidade nas mulheres muito jovens observada nas décadas anteriores”, afirma o diretor do Departamento de Análise de Situação de Saúde, Otaliba Libânio Neto.
O estudo verificou um crescimento no total de partos de mães com idades entre 25 a 34 anos a partir de 2003. No ano seguinte, esse aumento migrou para as faixas etárias mais avançadas.

Com isso, a idade média das mães brasileiras aumentou de 25,1 anos em 2000 para 25,7 em 2007. O fenômeno ocorre especialmente no Sul e Sudeste, onde as proporções de nascimentos de mães com idades entre 30 e 39 anos são superiores às das demais regiões do país.

OUTROS DADOS

O número de consultas de pré-natal é um dos indicadores de como anda o acesso aos serviços de atenção à saúde de mães e filhos. Seu acompanhamento é fundamental para garantir uma gravidez saudável e de baixo risco. Entre 2000 e 2007, houve um aumento da proporção de mães com sete ou mais consultas de pré-natal. “Subiu de 43,7% para 55,8%, o que indica melhoria na atenção à saúde materno-infantil no país”, revela Otaliba Neto.

O estudo também detectou que a escolaridade das mães tem relação direta com o número de cesarianas realizadas no Brasil, que passaram de 38% a 47% de 2000 para 2007. Enquanto o menor número está entre mães com baixo nível de escolaridade e nas regiões Norte (15%) e Nordeste (17%), as maiores proporções são entre mães com 12 anos ou mais de estudo das regiões Sudeste (76%), Sul (75%) e Centro-Oeste (77%). “Esses dados nos fazem concluir que é preciso fortalecer a campanha pela redução de cesárias desnecessárias, diz o diretor.

O baixo peso ao nascer (menos de 2.500 gramas) é o fator de risco mais importante para a mortalidade infantil, principalmente para o componente neonatal precoce. O “Saúde Brasil” faz uma relação entre esse índice e o tipo de parto. O Sul e o Sudeste têm alto índice de partos cesáreos e de bebês com baixo peso. Menores percentuais de bebês com baixo peso estão localizados em regiões com menor incidência de partos cesáreos – Norte e Nordeste. Esses resultados levantam a hipótese de que o elevado número de cesáreas pode estar contribuindo para o aumento do baixo peso nas regiões Sul e Sudeste, conforme já apontam outros estudos publicados no Brasil.

Adolescentes disciplinados ficam mais longe das drogas

Um levantamento realizado pelo departamento de Psicobiologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), em 28 escolas da rede particular de ensino de São Paulo, indicou que a droga mais consumida pelos adolescentes no mês anterior à pesquisa foi o álcool (50,2%), seguida do tabaco (14,1%) e outras drogas (11,6%). Foram entrevistados 2.691 estudantes do ensino médio, a maioria com idade entre 15 e 16 anos.

Apesar de índices tão elevados, a pesquisa também apresentou um aspecto interessante da questão: quais fatores afastam esses mesmos jovens do envolvimento com drogas. Em sua dissertação de mestrado, a pesquisadora Tatiana de Castro Amato concluiu que determinadas características avaliadas nesses estudantes, como autoestima, determinação, disciplina e adaptabilidade, estão relacionadas a uma menor probabilidade do abuso de álcool e tabaco associado ao uso de outras drogas.

“Esse resultado ressalta a relevância de ações e valores, especialmente a disciplina e a determinação, para prevenção ao uso de drogas na adolescência, cuja prática tem sido um grande desafio”, diz Tatiana. “Esses fatores estão mais relacionados à prática esportiva e ao bom desempenho escolar. Saber que eles também se relacionam ao menor uso de drogas os tornam mais preciosos para o desenvolvimento do adolescente”, explica.

De acordo com ela, existem poucos trabalhos que abordam quais comportamentos ou características dos adolescentes diminuem as chances de envolvimento com o uso abusivo de drogas ou de comportamentos de risco. “A maioria deles tenta somente responder o que leva alguém a usar drogas”, completa, ressaltando a importância do estudo. A redução da vul-nerabilidade dos adolescentes a partir do investimento em hábitos, características internas e ambientes saudáveis ao desenvolvimento deve ser objetivo dos programas de promoção da saúde.
Como lembra Tatiana, “algumas intervenções em escolas e serviços de saúde, com foco em autonomia e responsabilidade do adolescente, têm se mostrado eficientes na prevenção ao uso de drogas”.

Por Marcos Paulino

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