Valkyrias querem emplacar no país com estilo que levou estrangeiras ao sucesso

Janeiro 8, 2011 Nenhum comentário

Mulheres bonitas que cantam e dançam, formando um conjunto vocal em que cada uma assume um tipo de personagem. Lembrou de Spice Girls ou Destiny’s Childs? Pois é, é mais ou menos por aí que segue o caminho das Valkyrias, mas com uma importante diferença: Selma, Gabriela e Débora, as três integrantes do grupo, são brasileiras. E querem fazer aqui o sucesso que as estrangeiras alcançaram. Se der, também pretendem abrir um espacinho no mercado internacional. Para tanto, acabam de lançar seu disco de estreia, “Rádio VKS”, em que as músicas em inglês dividem espaço com aquelas em português.

Não se trata aqui de adolescentes que estão iniciando suas carreiras. A paulista Selma, a loira, começou a cantar no Japão, onde trabalhou como modelo, e integrou por quatro anos a banda do “Domingão do Faustão”. A mineira Gabriela, a morena, estudou piano e canto lírico nos Estados Unidos, onde morou. A cearense Débora, a ruiva, participa de conjuntos musicais há mais de 10 anos. Uma espécie de quarto elemento é o produtor Deeplick, que já trabalhou com Wanessa, Cláudia Leitte, John Legend, Shakira, Vanessa da Mata e Seu Jorge, e refinou as ideias trazidas pelas cantoras. As Valkyrias já abriram shows de Akon, Chris Brown, Black Eyed Peas e Nelly Furtado, participaram do programa do Jô Soares e agora se preparam para sair em turnê. Selma contou mais ao PLUG sobre o momento do grupo.

Como foi o encontro de vocês três?
Esse projeto já tem seis anos, mas eram outras vocalistas e cada uma foi seguir sua carreira solo. Já conheço a Gabriela de outros trabalhos, fizemos um teste pro “Fama” juntas. Sempre achei que ela tinha tudo a ver com o que gosto. Um dia, nos encontramos e disse a ela que precisava de uma amiga que cantasse muito bem pra gente dar continuidade às Valkyrias. Ela topou na hora e em uma semana já estávamos pensando em gravar. A Débora eu conhecia da época em que cantava na banda do Faustão, e ela fez um teste lá. Fiquei apaixonada pela voz dela e entrei em contato com ela. Somos três cantoras que gostam do mesmo estilo e que se gostam.

Existe preconceito, por vocês serem mulheres bonitas e explorarem isso, de que não saibam cantar ou algo parecido?
(Risos) Esse é o maior preconceito. Temos talento e amamos o que fazemos. Temos belezas diferentes, e por que não avantajar isso? Por ser um grupo pop, temos que incrementar e faz parte da gente gostar de se arrumar. Somos artistas brasileiros que têm potencial como os gringos. Por que não?

Vocês participaram de boa parte das composições do disco. Como dividem essa tarefa?
O disco demorou pra ser finalizado porque trabalhamos faixa por faixa. Nosso produtor contribuiu muito pra inserir essa pitada do que a gente gosta. Participamos de toda a produção musical e fomos trazendo ideias. Foi uma parceria mesmo, e tudo foi feito com muito cuidado.

Por que a opção de fazer um disco com parte das letras em português e parte em inglês?
Era o sonho das três. Sempre cantamos em inglês. A Gabriela não nasceu nos Estados Unidos, mas foi criada lá. A Débora também morou lá. Eu viajei muito, morei no Japão e tinha muitos amigos canadenses e australianos. Nosso repertório individual sempre teve músicas em inglês, que são demais melodicamente, combinam muito com o pop.

Cantar em inglês tem a ver também com um interesse no mercado externo?
A verdade é que quisemos inovar no Brasil. Por que não ousar? Por que as pessoas têm medo de cantar em inglês aqui? Conseguimos colocar elementos brasileiros nas músicas cantadas em inglês. Não fizemos pensando no mercado internacional, mas ajuda a expandir. Descobrimos que há músicas nossas em sites do Japão, da Rússia e outros países da Europa.

E o Brasil, tem espaço pro tipo de trabalho que vocês estão apresentando?
Acho que tem um buraco na música brasileira hoje, que é justamente o do pop. A Wanessa Ca-margo está ajudando e estamos unidas pra preencher esse buraco. Quem sabe as pessoas estão cansadas de ouvir só axé ou só sertanejo? Cadê o pop brasileiro? É isso que queremos fazer, mostrando originalidade e verdade. Não é uma banda que não tem conteúdo.

Em conjuntos como as Valkyrias, é normal que cada integrante acabe virando uma espécie de personagem, como a loira, a ruiva ou a morena. Vocês se sentem assim?
O que mais luto é para que ca-da uma aja, reaja, fale ou se comporte publicamente como é realmente. Até porque somos parecidas, mas também somos muito diferentes. Sempre tem a um pouco mais explosiva, ou mais tímida, mais festeira. Não estamos formando um padrão. Sempre fui loira, a Gabriela sempre foi morena e a Débora é a cameloa do grupo. O cabelo dela já teve todas as cores possíveis. (Risos) O ruivo foi uma cor que ela gostou e ficou. Então cada uma tem seu jeito.

Mas às vezes os personagens acabam sendo criados mesmo sem querer, o que atrai também o público infantil, não é verdade?
Nosso público vai de A a Z. Tem pessoas mais velhas que gostam de escutar o CD no carro, tem crianças que escrevem pra gente dizendo que são apaixonadas e que esperam bonecas das Valkyrias. É muito legal a troca com as crianças principalmente. Também há as mulheres que gostam de ver mulheres cantando, não só adolescentes. O Brasil é muito grande e tem música pra todo tipo de gosto pessoal.

As Frenéticas foi um conjunto vocal feminino que marcou época no Brasil. Elas são influências pra vocês?
Em outro projeto, tínhamos gravado uma música das Frenéticas, mas acabou não saindo CD. Temos sim influências delas, elas foram ícones.

Quem mais influencia o trabalho de vocês?
As grandes divas americanas, como a Mariah Carey e a Tina Turner, também a Shakira, a Jennifer Lopes, a Ivete (Sangalo), que é um fenômeno do Brasil, o Destiny’s Childs, as Spice Girls. Não somos bailarinas, não dançamos excepcionalmente bem, mas isso faz parte do pop.

Como está a agenda de shows?
Estamos preparando a turnê para este começo do ano, pra sair Brasil afora. Estamos montando uma estrutura muito legal, com bailarinos, com novidades que as pessoas nunca viram no Brasil em uma banda feminina. Nos apresentamos com quatro músicos e um DJ.

E pra quem ainda duvida: os shows serão realmente ao vivo, sem nada de playback?
Ao vivaço! (Risos) Vamos quebrar esse preconceito! Tenho um amigo que nunca ia ver o nosso show. Quando ele finalmente foi, veio me pedir desculpas por não ter ido antes. Disse que não dava crédito pra grupos femininos, mas que tinha mudado o conceito dele. Ninguém aqui está brincando de cantar, são três carreiras de anos. E estamos muito felizes.

Por Marcos Paulino

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