Obesidade pode encolher cérebro, afirma estudo

Janeiro 22, 2011 Nenhum comentário

Estudo realizado pela University School of Medicine, de Nova York, nos Estados Unidos, avaliou os efeitos da obesidade na estrutura física do cérebro. A doença, ligada a outras  degene-rativas, como o diabetes, atinge 400 milhões de pessoas em todo o mundo. Os pesquisadores realizaram um exame de ressonância magnética em 63 pacientes, sendo 44 obesos e 19 magros.

As pessoas obesas apresentaram mais água na amígdala, parte do cérebro responsável pelo comportamento alimentar, e um encolhimento na camada externa da parte frontal, área envolvida no processamento cog-nitivo e tomada de decisões. “Com esse resultado, os pesquisadores concluíram que no cérebro dos pacientes obesos existem neurônios a menos ou eles estão encolhidos. A obesidade é um fator de risco para diversas outras doenças, em especial o diabetes tipo 2, que está ligado à disfunção cognitiva”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, Ricardo Cohen.

Além das constatações de perdas neurológicas apontadas no estudo, a obesidade provoca também uma série de outros problemas relacionados à saúde, como o diabetes tipo 2, que prejudica a sensibilidade das pessoas à insulina, resultando no acúmulo de açúcar no sangue.

A insulina é responsável pela regulação do metabolismo de carboidratos e gordura no corpo, além de controlar o fornecimento da dopamina, um neuro-transmissor necessário para a atenção e atividade motora. A falta da insulina provoca perturbações na atividade da dopamina, podendo causar outros distúrbios cerebrais, como a depressão, doença de Parkinson, esquizofrenia, déficit de atenção e hiperatividade. “A obesidade e o diabetes, que são doenças relacionadas, são degenerativas e o melhor tratamento é o cirúrgico. Diversos estudos nacionais e internacionais comprovam que os pacientes conseguem permanecer magros com mais facilidade, vivem mais e não adquirem ou interrompem as afecções típicas da obesidade, como o diabetes”, destaca Cohen.

Há três tipos de cirurgia que se mostram eficientes no controle do diabetes. Duas delas criam um atalho para o alimento, que é desviado do duodeno e chega antes à parte final do intestino. Esse desvio altera a secreção de alguns hormônios intestinais, cujo aumento estimula a produção de insulina, resultando na melhora ou até mesmo remissão total do diabetes tipo 2. A outra atua sobre a perda de peso e mais lentamente pode levar à melhora do diabetes, porém por meio de mecanismos diferentes das duas primeiras. As operações para o controle do diabetes melhoram a sensibilidade à insulina nos pacientes e a habilidade do corpo de aproveitar a glicose na corrente sanguínea.

Os bons resultados da cirurgia para o controle do diabetes tipo 2 devem-se, basicamente, a dois fatores: a perda de peso do paciente e, principalmente, a alteração hormonal. “No início, pensava-se que o controle da doença era consequência apenas do emagrecimento do paciente, porém os índices ligados a diabetes eram normalizados poucos dias após a cirurgia, antes que houvesse uma perda significativa de peso”, explica Cohen.

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