Modelo limeirense faz sucesso mundo afora

Janeiro 22, 2011 Nenhum comentário

Rafael Lima se diverte ao mostrar a foto em que aparece sem camisa, abraçado a uma bela moça, enquanto uma cobra enorme se enrola desde sua barriga até o pescoço, deixando a boca assustadoramente perto de seu rosto. “Sabia que ela não ia fazer nada, mas mesmo assim fiquei tenso”, recorda-se, rindo, da cena, flagrada para compor mais um dos inúmeros editoriais de moda que ele já protagonizou. Nascido há 28 anos em Limeira, foram raros os períodos em que Rafael permaneceu na cidade natal nos últimos anos. Tem viajado mundo afora para exercer a profissão de modelo, num dia a dia sem rotina, que inclui momentos como a tal foto com a cobra.

México, África do Sul, Itália, Alemanha e vários países da Ásia já fizeram parte de seu roteiro profissional. Em cada um deles, Rafael passa menos de um ano, período em que tenta se adaptar o mais rapidamente possível à cultura local. Diz que essa parte, a de conhecer outros povos e seu cotidiano, é o que mais gosta em seu trabalho. Ex-instrutor de academia e ex-representante comercial, ele não espera ficar rico como modelo. Sabe que o mercado masculino é bem mais restrito que o feminino e que as mulheres, pelo menos nessa área, ganham muito mais que os homens.

Mas aproveita as oportunidades que a moda e a propaganda oferecem para conhecer o mundo. Com 1,87m de altura, 80 quilos, olhos claros, Rafa tinha 24 anos quando trocou Limeira, o emprego da época e a faculdade de Educação Física por São Paulo para investir na carreira de modelo. Recém-chegado da África do Sul, ele falou sobre seu trabalho ao PLUG.

Como começou sua carreira?
Sempre me falavam pra tentar ser modelo. Eu não queria, mas aí teve um concurso pequeno na cidade. Participei e ganhei. Comecei a fazer alguns trabalhos e resolvi procurar uma agência. Iniciei na The Agency One, mas era esporádico, porque tinha outro trabalho. Até que aconteceu o Mister São Paulo, em que fiquei em segundo. Depois veio o Mister Limeira, que ganhei, e tinha um pessoal no júri que trabalhava com agência em São Paulo e me convidou pra uma visita. Fui, passei pela mesa de bookers e me convidaram pra trabalhar lá. Foi aí que mudei de vida.

Como surgiu a chance de fazer trabalhos no exterior?
Minha primeira viagem foi para o México. Fui por meio de um contato da The Agency One. Fiquei dois meses na Cidade do México. Foi uma experiência boa e, como primeiro passo fora, facilitou porque eu não sabia falar inglês. Depois voltei para São Paulo. Passei para a (agência) Elite e meu ritmo de trabalho aumentou. Fiquei um ano e meio, mas estava meio cansado de São Paulo e pedi pra agência me “vender”. Aí me mandaram pra Ásia. O primeiro país foi a China. Fiquei dois meses em Guangzhou.

Você sempre fica períodos assim curtos?
Geralmente, o contrato inicial é de dois a três meses. Se você estiver trabalhando, pode ser estendido. Mas chega uma hora em que o mercado satura, aí você precisa sair.

E depois da China?
Fui pra Malásia, em Kuala Lampur, com contrato de dois meses, mas acabei ficando seis. Aí fui pra Singapura, que é um mercado que não dá pra estender. Então voltei pra China e completei um ano fora. Voltei ao Brasil no meio de 2008. Depois de um mês de férias, fui pra Europa. Fiquei três meses em Milão, mas era uma época ruim, porque era o começo da crise econômica. Tentei a Alemanha e fiquei 15 dias em Hamburgo e 15 em Munique. Também estava meio fraco e voltei pra Malásia. Foram mais 11 meses lá e 10 em Hong Kong. Voltei também pra Singapura. Nos últimos três anos e meio, só fiquei uns dois meses no Brasil.

Como é feita a escolha dos modelos que vão participar de determinado trabalho?
Basicamente, você faz duas ou três entrevistas de emprego por dia. Toda vez que você vai pra um casting, tem que se apresentar pro cliente, mostrar seu book, e essa é a sua chance.

Qual a parte mais difícil do seu dia a dia?
Tem que ter um psicológico muito forte. Tem que ter confiança, conversar bem com o cliente pra convencê-lo a te dar o trabalho. Independentemente de qualquer problema que tenha na sua vida, você tem que estar focado.

E qual a chance de não conseguir o trabalho?
A margem é alta, mas depende do lugar. Em Milão, por exemplo, um casting tem 200, 300 modelos. É muita concorrência, mas os trabalhos pagam bem. A Ásia tem poucos modelos, então tem volume de trabalho maior, mas eles pagam menos.

Como você faz pra conviver com tantas culturas diferentes?
É interessante porque você não vai só passar 10 dias no lugar pra visitar. Vai viver na cultura deles. Tem que aprender a se adaptar rápido. Tem que descobrir onde comprar, o que comer, pra não apanhar muito. Na Ásia, por exemplo, você acha fast fo-ods. Mas eu cozinho em casa, então faço meu feijão, meu filé de frango. Às vezes, a comida local também é muito boa.

E os momentos de folga?
A gente forma um vínculo de amizades grande entre os modelos. O pessoal sai junto, faz almoço, vai pra praia.

Dá pra ter uma namorada?
Fica complicado, ela teria que viajar junto. Não acredito em relacionamento à distância. Então rolam relacionamentos mais curtos.

Que dica você diria para quem quer tentar a carreira de modelo?
Pra não ouvir o pessoal que te aborda na rua pra convidar pra ser modelo. Tem muito papo-furado, é preciso tomar cuidado. É necessário trabalhar com quem tem currículo, procurar uma agência especializada que vai te orientar.

Por Marcos Paulino

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