Francamente: Faculdade não é o único caminho
Dezembro 24, 2010 Nenhum comentário
Outro dia ouvi um trabalhador reclamar que, por não ter estudo, não tinha chances de “subir na vida”. Ele dá duro o dia todo, faz suas vendas de porta em porta, tem a sua clientela e vai levando sua vidinha. Mas imagina que, se tivesse mais oportunidades de frequentar a escola, hoje poderia viver melhor. Fiquei pensando no quanto isso tinha de verdade e no quanto não passava de simples sublimação daquilo que realmente poderiam tê-lo ajudado os bancos escolares.
A grande maioria dos pais sonha que o filho seja bom aluno, que leve a escola a sério, que faça uma faculdade e se forme com louvor. Assim, acredita-se, a ele estaria garantido um futuro de sucesso e bonança. Com o diploma, espera-se que o jovem consiga um bom emprego, vá galgando posições na carreira e, dentro de alguns anos, já sendo chamado de doutor, estará com a vida ganha, vendendo saúde, dinheiro e alegria.
Mas todos sabemos que as coisas não funcionam bem assim. Há uma boa parcela que de fato não leva jeito com livros e cadernos, que vai passando de séries aos trancos e barrancos e até consegue fazer uma faculdade, muitas vezes se formando num curso que nada tem a ver consigo. Então vira um profissional insatisfeito e, melancólica e resignadamente, vai empurrando o dia a dia com a barriga. E quantos são aqueles que, com baldes de diplomas de vários níves, mal ganham para se sustentar?
Por outro lado, a construção civil no Brasil, para pegar um setor como exemplo, experimenta uma alta de 11% neste ano. Isso significa que se abre um mercado vistoso para os engenheiros com seus diplomas. Mas também se vislumbra um mundo de oportunidades para pedreiros, pintores e carpinteiros, que são poucos perto dos postos de trabalho que as obras oferecem. São profissionais que precisam de conhecimento técnico, mas não de um diploma de curso superior.
E, se há demanda mas não oferta da mão de obra, cresce a disputa pelos profissionais e, consequentemente, sobem seus salários. Pergunte agora a qualquer jovem se ele sonha em ser pedreiro. É uma profissão digna, importantíssima, mas que atrai pouca gente. E assim acontece com tantas outras, equivocadamente consideradas menos nobres. O que falta, talvez, é incentivar cursos técnicos e profissionalizantes, em vez de se ficar apostando na multiplicação de faculdades com qualidade para lá de duvidosa.
É preciso variar as opções e as oportunidades em vários níveis. Gente com diploma universitário é imprescindível, mas também o são aqueles sem tanta formação acadêmica, mas com conhecimento técnico. Os jovens têm que saber que há profissões rentáveis e atraentes para além daquelas que exigem anos em um curso superior.
