Francamente: À Espera da torre, que tal mais zelo?
Dezembro 4, 2010 Nenhum comentárioSou um otimista incorrigível. Beiro a ingenuidade, às vezes. Não foi diferente quando recebi a notícia de que o prefeito de Limeira, Silvio Félix, planejaria construir uma torre com dezenas de metros de altura bem no cume do Morro Azul, um dos pontos mais elevados do interior paulista. As justificativas para essa ousada e milionária iniciativa foram enumeradas pelo prefeito. A torre agregaria as antenas de TV, rádio, telefonia e demais que já se penduram em outras estruturas e abrigaria um complexo de turismo dos mais interessantes.
No local, haveria mirante, de onde se poderia ver várias cidades vizinhas, restaurante e mais uma série de atrativos. Tudo muito bom, tudo muito bem. Mas repare, leitor, que utilizo os verbos na forma condicional. É que tantas obras grandiosas já foram alar-deadas pela atual administração municipal, sem que, no entanto, saíssem do papel, que é preciso certa cautela antes de ser tomado de entusiasmo por elas.
Repousa na mesa do prefeito, por exemplo, o projeto que daria a Limeira um novo terminal rodoviário. O aeroporto regional, por sua vez, parece que nem alçará voo, com o perdão do infame trocadilho. Tem ainda um tal de shopping popular, o novo zoológico, o jardim botânico, distritos industriais, viadutos… Mas não pretendo, com isso, encher a já esgotada paciência de quem acompanha estas mal traçadas.
Nem é o que não foi realizado o ponto central desta coluna. O que realmente incomoda é o estado daquilo que já foi entregue. Fui, por exemplo, um dos primeiros, senão o pioneiro, a elogiar o prefeito publicamente pela instalação do Parque da Cidade junto à Hípica Municipal. O local rapidamente se tornou um atrativo para a prática de esportes e para o lazer. Hoje, que pena, está em estado lamentável.
Onde a grama sobrevive, há mato. Bancos, cestas de basquete, brinquedos, são muitos os itens destruídos por vândalos ou simplesmente pela ação do tempo. Sem contar a falta de bom gosto de quem cuida do paisagismo, que não se inibe em misturar pavorosas estátuas de personagens de contos de fada com esculturas em estilo grego. Objetos rústicos de madeira convivem sem cerimônia com outros tantos de concreto. Era um local que tinha tudo para ser temático, aproveitando-se da Hípica. Que nada…
E se a área de esportes e lazer tão próxima ao cento está assim, imagine aquelas que deveriam fazer a alegria dos moradores dos bairros mais distantes. Aliás, nem precisa imaginar, porque a imprensa mostra diariamente o estado em que se encontram.
Enfim, nada contra a megatorre do Morro Azul. Que ela venha trazer tanto desenvolvimento quanto acredita o prefeito. Mas, até lá, não seria possível cuidar da cidade com um pouco mais de zelo? Dá para pelo menos cortar o mato e tapar os buracos?
