Entrevista: NX Zero lança disco de rap com a participação de artistas brasileiros e estrangeiros

Dezembro 11, 2010 Nenhum comentário

A seleção brasileira entrou com Marcelo D2, Chorão, Flora Matos, Gabriel O Pensador, Marcelinho (Strike), Mi (Glória), Negra Li, Rappin Hood, Aggro Santos, DJ A.S.M.A, DJ Cia, DJ King, Emicida, Kamau, P.MC, Rincon Sapiência, Xis e Tulio Deck. A legião estrangeira formou com C Rock, Divinity Roxx, Eric Silver, Freddie Gibbs, Kurupt, One Nati-on, Smoke, Strong Arm Steady, Ya Boy e Yo Yo. Não se tratava, porém, de um embate. Pelo contrário, era uma reunião de artistas de rap, hip hop e alguns representantes de outros ritmos, todos convidados para participar do mais novo disco do NX Zero, recém-lançado, “Projeto Paralelo”.

Mas o que fariam tantos rappers no álbum de uma banda de hard-core? Essa é a pergunta que muitos fãs dos paulistanos devem ter feito, quando souberam os nomes de quem participaria dessa empreitada. A resposta é simples: o NX Zero realmente quis fazer um CD de rap. A ideia era dar novo corpo a alguns dos hits da banda, que ganharam scratches, trechos falados e tudo mais que caracteriza o ritmo.

O projeto já martelava há algum tempo na cabeça do guitarrista Gee Rocha e do vocal Di Ferrero. E ganhou aceitação total quando apresentado ao guitarrista Fi Ricardo, ao baixista Caco Grandino e ao baterista Dani Weksler. A ideia, inicialmente despretensiosa, ganhou corpo e deu mesmo origem ao disco, que agrega sucessos revisitados e músicas inéditas. O resultado pode causar estranheza para os fãs mais ferrenhos do NX Zero, mas deve agradar aqueles mais flexíveis e, principalmente, quem curte rap. Sobre esse projeto, Fi conversou com o PLUG.

Como surgiu a ideia de gravar um CD de rap?
O Gee e o Di já tinham essa ideia há um tempo e chegamos a usar rap no nosso disco “Agora”, com a participação do Túlio Deck numa música. Aí eles levaram essa proposta ao Rick (Bonadio, produtor), de refazer as músicas com uma batida de rap. O Rick sempre trabalhou com rap e adorou. Não tinha ninguém melhor que ele para fazer isso. Então resolvemos fazer como um projeto do NX Zero.

É comum um ou dois integrantes de uma banda fazerem trabalhos solos com um som diferenciado daquele a que estão acostumados. Neste caso, foi um consenso de todos fazer esse “Projeto Paralelo”?
Exatamente. Escolhemos esse nome pra deixar o mais explícito possível que foi um projeto que fizemos sem a pretensão de soar diferente. Foi só a vontade de fazer algo diferente, até pela abertura maior que temos agora e pela confiança com que trabalhamos entre a gente. Foi totalmente despretensioso, e acho que por isso ficou tão bom. Ficamos bem surpresos com o resultado, porque a gente não tinha ideia de que iria gravar um disco este ano. Mas todo o processo de gravação foi filmado e acho que no ano que vem vai sair um DVD sobre como foi feito.

No caso desse disco, vocês não fizeram só uma mistura de rap e rock. Foi, na verdade, al-go bem diferente do som tradicional do NX Zero, apesar da releitura de algumas músicas. Vocês realmente queriam esse resultado?
É um outro ponto de vista sobre as mesmas músicas. A ideia era não ter muito limite. Foi uma atitude corajosa. O que ficou bem legal é que todo mundo que participou não fez por fazer, todos se envolveram de verdade e isso garantiu a qualidade do trabalho. Foi como se todos fossem integrantes da banda.

Como foi composta essa salada de NX Zero com rap?
O Gee e o Rick selecionaram as músicas, já pensando em como encaixariam a participação dos rappers. Pelo conhecimento dele, o Rick já sabia o timbre que queria, ou o estilo de rap ou hip hop que ele procurava. Nós pensamos em algumas participações de quem a gente gosta do trabalho, como o D2 e o Chorão, e o Rick trouxe muita gente que ele conhecia do rap, inclusive os artistas internacionais. Foi também uma forma de mostrarmos nosso trabalho pro pessoal lá de fora.

Esse lance de rock com rap já é tradicional principalmente nos Estados Unidos. Vocês se inspiraram em bandas como o Linkin Park pra fazer este CD?
O Linkin Park tem um disco com o Jay-Z, mas em que vários DJs pegaram as músicas e fizeram remixes. No nosso, regravamos tudo. A ideia era fazer a mesma música com outra cara, pra ter a surpresa.

Como os fãs receberam esse trabalho?
A maioria dos comentários foi bem positiva, mas deve ter gente que ficou um pouco assustada, no sentido de estar se adaptando à ideia. Não temos a pretensão de mudar ou não mudar, continuamos a mesma banda. O lance é romper as barreiras que possam haver entre quaisquer estilos. É também uma forma da galera de rap daqui ter mais abertura na mídia. Tem muita gente muito boa que atinge um espaço restrito.

A expectativa agora é de como será o próximo trabalho. Vai seguir a linha tradicional ou também ganhará tempero de rap? Vocês já estão pensando nisso?
Mais ou menos. Sempre tivemos esse lance de misturar um monte de coisas. Já usamos soul, funk das antigas e mesmo rap. Tem diversos estilos que a gente curte e que gostamos de explorar e adaptamos do nosso jeito. Isso acontece naturalmente e acho que o próximo disco de inéditas vai ter muita mistura do que a gente estiver ouvindo na época. Mas, para o ano que vem, acho que vai rolar esse DVD do processo de gravação deste CD e estamos pensando em fazer um disco ao vivo, porque estamos fazendo 10 anos de banda. Seria um marco legal.

Agora, nos shows, vocês terão duas opções pra tocar algumas das músicas. Como esse trabalho novo vai entrar nas apresentações ao vivo?
Estamos pensando em levar dois rappers pra fazer as participações e vamos ensaiar pra ver as músicas que funcionam melhor no show. Mas o ideal é que fosse uma intervenção do “Projeto Paralelo” no show que a gente já tem. Seria um bloco, com um cenário diferente. Acho que vai rolar super bem, estamos muito empolgados com isso.

E vocês vão fazer shows só com as músicas do “Projeto Paralelo”?
Pensamos nisso sim. O problema todo seria como juntar as participações. Mas, se conseguirmos juntar o máximo de participações possível pra fazer um show só do “Projeto Paralelo”, será bem legal.

Por Marcos Paulino

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