Docentes da Uniara condenam o uso constante de sabonete antimicrobiano
Dezembro 25, 2010 Nenhum comentário
O uso constante de sabonetes antimicrobianos, produto cada vez mais anunciado pelos veículos de comunicação como promessa de prevenção contra muitas doenças, pode, na verdade, ser prejudicial à saúde. É o que garantem dois profissionais da saúde e docentes do Centro Universitário de Araraquara – Uniara, o médico dermatologista Sergio Delort e o microbiologista Adilson César Abreu Bernardi.
Delort explica que nossa pele é naturalmente habitada por bactérias, mas isso não é necessariamente ruim, pois elas convivem pacificamente com nosso organismo e até nos protegem dos microorganismos mais patogênicos, ou seja, aqueles que causam doença. “Portanto, quando se usa sem necessidade esses sabonetes, essas bactérias morrerão e surge um risco à saúde da pele”, aponta.
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Do ponto de vista da microbiologia, o professor doutor Adilson Bernardi conta que não vê a necessidade de uso diário dos sabonetes antimicrobianos, exceto em condições especiais, ou seja, para indivíduos com necessidade peculiar de melhor higiene, como funcionários de hospitais ou em casos de pacientes que sofrem de afecções na pele. “A própria população de micróbios (microbiota) natural da cútis se encarrega em retirar os excessos e controlar a invasão dos possíveis agentes causadores de doenças”, explica.
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Bernardi comenta ainda que a Sociedade Internacional de Imunologia pede para que os pais deixem seus filhos mais “soltos”, brincando à vontade e sem muitos cuidados, para que naturalmente adquiram a microbiota ambiental e estimulem o organismo a produzir as próprias defesas, preparando o corpo para os contatos diários. Essa orientação se deve à grande quantidade de crianças com problemas alérgicos e infecciosos pelo excesso de zelo dos pais.
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Delort conta que entre seus pacientes existem aqueles que são mais preocupados com bactérias. “Comento sempre com eles que os únicos indivíduos livres de bactérias são os corpos conservados em formol, portanto higiene é ótimo, mas como tudo na vida, o exagero também prejudica”, opina.
Por Uniara
