Adeptos do Beach Handball apostam que modalidade vai crescer nos próximos anos

Dezembro 22, 2010 Nenhum comentário

Derivado do esporte mais praticado nas escolas brasileiras, segundo pesquisa do Ministério da Educação (MEC), o Beach Handball (ou Handebol de Areia) está longe dos holofotes que a mídia dá a outras modalidades praticadas na praia. No entanto, para os adeptos, a tendência é que daqui a alguns anos o esporte se popularize, tendo em vista o rápido desenvolvimento e a adesão crescente de novos praticantes.

O Beach Handball é praticado no Brasil desde a década de 80. No início, a modalidade era apenas uma recreação e usavam-se as regras e as dimensões da quadra do handebol de quadra. Em 1995, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) incluiu o esporte no Festival Olímpico de Verão, no Rio de Janeiro, e assim aconteceu a primeira competição internacional da modalidade. O torneio foi vencido pela Seleção Brasileira, com a Argentina em segundo lugar, seguida de Itália e Portugal.

A regra possui profundas diferenças em relação ao handebol de quadra. As partidas são disputadas com quatro jogadores por equipe, sendo três de linha e um goleiro, em melhor de dois sets, com duração de 10 minutos cada. Caso o tempo termine empatado, a decisão será no “Gol de Ouro”, em que a equipe que marcar o primeiro gol será declarada vencedora do set.

Se as equipes vencerem um tempo de jogo cada, o desempate será feito através do “Shoot Out”, ou seja, o jogador contra o goleiro. Segundo a Federação Internacional de Handebol (IHF), os gols criativos ou espetaculares e “aéreos”, além daqueles marcados através do Tiro de 6 metros, valem dois pontos. Considerado uma das potências do Beach Handball, juntamente com alguns países com tradição no handebol de quadra, como Croácia, Hungria, Rússia e Egito, o Brasil possui bons resultados na história dos mundiais. A seleção masculina foi campeã em 2006, no Rio de Janeiro, e em 2010, em Antalya, na Turquia, além de ter conquistados o vice-campeonato em 2008, em Cádiz, na Espanha. Já a equipe feminina venceu em 2006 e nas duas últimas edições terminou em terceiro lugar.

Os maiores polos da modalidade no país são Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará e Paraíba. Desses estados, costumam sair jovens talentos e vários jogadores para as seleções, como explica Antonio Hermínio Guerra Peixe, treinador da Seleção Brasileira desde 1998.

“Para garimpar jogadores a fim de defender as seleções brasileiras em competições internacionais, acompanho as etapas nacionais e estaduais de Beach Handball”, conta. Alguns jogadores tiveram experiência com o handebol de quadra antes de se mudarem para a praia.

É o caso de Maria José Sales, a Zezé, que defendeu o Brasil nos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000. Considerada uma das maiores atletas da história do handebol brasileiro, Zezé afirma que não teve dificuldades de adaptação.
“A minha adaptação foi fácil, pelo fato de morar próximo da praia e pela paixão pelo handebol”, afirma. “Consegui unir o lazer com o esporte”. A opinião é compartilhada por Wagner, atleta do Ferreira Viana, de Niterói. “Apesar de terem os mesmos fundamentos básicos, o Beach Handball é outra modalidade. Não tive dificuldades para me adaptar, pois o meu forte é a areia. Eu amo a praia”, diz.

As principais equipes de Beach Handball do estado fluminense foram montadas de maneiras diferentes. O Z5 Handebol, time de Zezé, foi formado a partir de um grupo de amigas. “Reuni um grupo de cinco amigas e daí surgiu o Z5, com atletas que tiveram participações expressivas na liga nacional e na seleção de handebol de quadra”, explica a responsável pelo time.

Luciano Peçanha, do Niterói Rugby, afirma que a equipe foi formada a partir da união de dois grupos. “Eu fui atleta e treinador do Niterói Rugby em outras épocas e retornei este ano como treinador da equipe principal de Beach Handball e de quadra. Todo o grupo que me acompanhava, há cerca de três anos, com passagens por América e Vasco, veio pro Niterói comigo. Aqui já havia um grupo novo e talentoso e juntamos os dois, ficando com uma equipe mais forte”.

Já a base do Unihand, de Bel-ford Roxo, se formou a partir de um torneio misto de Beach Handball em Itaguaí. “Competimos e logo em seguida veio a vontade de participar de uma competição oficial, e assim foi feita a participação do circuito carioca e da seletiva do brasileiro”, diz Rômulo Pereira, treinador das equipes masculina e feminina do único representante da Baixada Fluminense.

Assim como qualquer esporte amador, as equipes de Beach Hand-ball sofrem com a falta de patrocínio para se manter. Isso é uma unanimidade entre os representantes dos times. “Vivemos da ajuda de amigos, da venda de material esportivo e do amor ao esporte”, diz Zezé, enquanto Luciano Peçanha afirma que os atletas do Niterói Rugby “não recebem nenhuma ajuda financeira, ao contrário, dividem todos os custos de taxas administrativas e do material, como bolas, fitas e redes”. Já Wagner, do Ferreira Viana, reclama da Federação de Handebol do Estado do Rio de Janeiro (FHERJ). “Nossa maior dificuldade é a organização, pois a federação não ajuda financeiramente. As equipes financiam seu próprio material, inscrições etc. No caso do Ferreira Viana, o patrocinador (uma grife de roupas moda praia) paga os custeios”.

Rômulo Pereira, do Unihand, explica que sua equipe recebe apoio da prefeitura local, exceto para conseguir materiais esportivos. “Temos total apoio da Prefeitura Municipal de Belford Roxo e da Secretaria de Esporte e Lazer do município, que paga as inscrições e transporte, mas dinheiro para uniformes e outras coisas temos que arrumar”. O Idec perdeu o importante patrocínio de uma universidade. “O foco nos investimentos mudou e por isso a Uni-suam deixou de apoiar nossa equipe”, explica o representante João Mandarino. Mesmo com as dificuldades, a aposta é de que num futuro próximo o Beach Handball se torne um esporte conhecido. “A inserção nas escolas é o primeiro passo para o crescimento da modalidade no Brasil”, aposta Zezé.

Por Marcos Paulino

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