Redução de estômago atrai jovens

Novembro 27, 2010 Nenhum comentário

A população jovem brasileira está engordando. Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares, realizada pelo IBGE, referente aos anos de 2008 e 2009, mostram que 21,7% dos jovens entre 10 e 19 anos estão acima do pe-so. Isso também acontece com mais de 30% das crianças de 5 a 9 anos. Como um dos resultados desses números, a cirurgia bariátrica, popularmente conhecida como redução de estômago, está sendo realizada por pacientes cada vez mais jo-vens.

No ano passado, foram realizadas no país 1.500 cirurgias desse tipo em pacientes com menos de 20 anos, representando 5% do total. “A legislação brasileira só permite a cirurgia após os 16 anos, ou esses nú-meros seriam maiores ainda. Porém, temos que alertar que o paciente deve ser muito bem avaliado pela equipe clínica”, ressalta o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, Thomas Szego, que coordenou um congresso pan-americano sobre cirurgia bariátrica e diabetes realizado em Bonito (MS), no último final de semana. 

O aumento do número de cirurgias bariátricas em jovens, porém, não é somente um reflexo do crescimento do índice de adolescentes obesos no Brasil. De acordo com Szego, a técnica tem se aperfeiçoado nos últimos tempos, garantindo a segurança do paciente. “O Brasil é o segundo país do mundo que mais realiza cirurgia bariátrica, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Ho-je temos técnicas bem mais avançadas e profissionais com ampla experiência, reduzindo o risco de complicações durante e após o procedimento cirúrgico”.

A cirurgia bariátrica pode ser indicada no tratamento de pacientes com IMC (Índice de Massa Cor-pórea – peso dividido pela altura ao quadrado) acima de 35. Ainda está em estudo pelo Conselho Federal de Medicina a liberação do procedimento para pacientes com IMC entre 30 e 35. “Nos casos em que o IMC do paciente fica entre 30 e 35, é preciso uma avaliação prévia e individualizada para ver se realmente a cirurgia bariátrica é recomendável. São analisadas doenças consequen-tes da obesidade, como diabetes e hipertensão, e se o paciente já passou por todos os tipos de tratamentos convencionais, como nutricio-nistas e endo-crinologistas”, diz Szego.

A cirurgia, porém, não garante a redução de peso em definitivo. O paciente precisa fazer uma adaptação à sua nova realidade e contar com acompanhamento de profissionais da saúde para se adaptar à nova rotina. “Em geral, depois de três anos, 10% dos pacientes começam a engordar novamente, por não adotar um novo estilo de vida saudável”, ressalta Szego.

“A participação dos pais é obrigatória no processo. Eles precisam ser envolvidos porque a mudança na dieta e nos hábitos de vida, necessários após a operação, é o que garante a saúde do paciente e o sucesso na perda de quilos”.

Cresce procura de homens por plásticas

Especialistas apontam um aumento na procura de cirurgias plásticas pelos homens no Brasil. O Centro Avançado de Cirurgia Plástica Estética, com unidades em São Paulo e Foz do Iguaçu, por exemplo, irá encerrar 2010 com o que considera “um expressivo crescimento” no número de pacientes masculinos interessados em procedimentos com finalidade puramente estética, como lipoaspiração, alinhamento de pálpebras, correção de abdômen, implantes de silicone mamários e até implantes de glúteo. “Até o ano passado, nossos pacientes masculinos atingiam cerca de 20% do total de atendimentos, chegando hoje a 33%. Mas, até recentemente, uma grande parcela buscava operações mais corretivas, como a suavização de rugas ou redução de orelhas”, afirma o cirurgião Esmail Safaddine, que dirige o centro.

De acordo com o médico, uma pesquisa recente do Ibope já apontava para uma presença expressiva do público masculino nas clínicas de cirurgia plástica, com cerca de 119 mil procedimentos ao longo de 2009, frente aos 525 mil do total de plásticas realizadas no país. Apesar de um pouco diferentes, esses números são compatíveis com cálculos da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, que estima em 30% a participação masculina no total de 100 mil implantes realizados no Brasil ao longo do ano passado. “O que essas pesquisas ainda não captaram, a meu ver, é que agora há uma busca mais intensa de opções mais essencialmente estéticas, como implantes de silicone, lipoesculturas e aplicação de botox”, assinala o especialista. Segundo ele, a preocupação com a aparência e o apelo a soluções estéticas, como próteses de silicone, plástica e maquiagem permanente, começam a ser encaradas de forma natural por jovens das classes A e B de todas as regiões. “A superação do preconceito não é mais uma característica restrita aos grandes centros, mas atinge jovens empresários e estudantes do interior, que são cada vez mais numerosos nas duas unidades da nossa clínica”, comenta.

Por Marcos Paulino

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