Mente Sadia: Rio de Janeiro
Novembro 3, 2010 Nenhum comentárioRio, cidade das contradições. Cidade do bem e do mal. Cidade de maravilhas e do caos.
Território de episódios de todos os tipos, protagonizados por pessoas “bem-nascidas” e por aquelas que chegaram onde não havia as menores condições de chegarem.
O Rio é exaltado pelas suas belezas naturais, mescladas pelas interferências do homem, ser este capaz de transformar coisas belas em maravilhosas, mas, quando inconsequente, pode arruinar o que é bom. Em 2008, o Brasil recebeu – especificamente no Rio de Janeiro – uma companhia de cinema para gravar imagens que comporiam parte do filme “2012″.
Não foi, e nem será, o primeiro filme que especula sobre as previsões de transformações no mundo, marcadamente por volta de 2012, exibindo imagens de destruições provocadas por terremotos, erupção de vulcões… Uma convulsão da natureza que independe da vontade do homem. Assim, é melhor sabermos que de época em época ocorrem “arranjos” da natureza, causando modificações climáticas e geográficas. E não se trata de eventos isolados, específicos do planeta terra, são fenômenos universais.
O Homem tem sim que desenvolver sua consciência em relação às suas responsabilidades e seu desenvolvimento espiritual, porém, a ele não se pode atribuir culpa pelas “convulsões” da natureza, elas independem da ínfima intervenção humana.
Achar que o homem é culpado por tudo, pressupõe duas questões. Primeira: colocá-lo no centro do universo, com amplos poderes, sobre tudo e sobre todos, na certa é um exagero, pois o homem não está com essa bola toda, como alguns querem crer.
Segunda: fruto de nossa “formação” religiosa, ignoramos os fatos e nos colocamos culpados por tudo que desconhecemos, atribuindo a Deus o poder de nos castigar por sermos filhos arteiros. Falando em religião, a arquidiocese do Rio, segundo os noticiários, estará entrando com uma ação contra a produtora do “2012″, pedindo indenização por terem exibido a imagem do Cristo sendo estilhaçada pelos terremotos.
Pergunto: sendo o filme uma obra de ficção, qual é o problema? Caso haja de fato um terremoto no Rio, e este venha abaixo, a estátua seria intocada?
Não seria também mais interessante os noticiários veicularem informações sobre o que a igreja tem feito de bom para o povo, do que sua forma de angariar recursos?
Sou cristão, desculpe, mas acho ridículo uma instituição com grandes poderes econômicos, políticos e sociais, se preocupar com a imagem do Cristo mais do que com seus ensinamentos, permitindo que a miséria, os desmandos, a violência imperem no Rio e no mundo afora, enquanto os discursos vão numa direção e a prática, em outra.
