Mente Sadia: Gaviões pais

Novembro 6, 2010 Nenhum comentário

Este texto tem o pretexto de, uma vez mais, abordar questões da natureza humana, em seus acertos e defeitos.
Pegarei carona nos episódios recentes de ataques de gaviões a possíveis ameaças a seus filhotes e consequentemente à sua espécie.
Pessoas foram atingidas, outras ficaram amedrontadas quando se aproximavam da área vigiada por pais atentos em proteger seus filhotes.

Pergunto: será que a categoria “humanos” se divide em várias espécies?
Vejamos. Em primeiro lugar, cabe salientar que o crescimento populacional e os atrativos dos centros urbanos fizeram com que o homem do campo, das pequenas propriedades, migrasse em busca de maior conforto e acesso aos bens de consumo, incentivado, muitas vezes, pelos governantes, para se favorecerem através dos votos, criando bolsões residen-ciais, inchando as cidades, predatoriamente expandindo o território dos homens em detrimento dos demais animais.

Sem a consciência ética e ecológica e, com o jeitinho brasileiro, burlando o bom senso, as leis, foram desmatando, ou melhor, matando nascentes, córregos, rios, matas, intervindo desordenadamente no ecos-sistema, a ponto de criar uma selva de pedras, onde o bicho-homem, espremido, acotovelado nos grandes centros, começa a enlouquecer, criando regras para serem descumpridas, leis para serem desobedecidas.

Hoje se fala – mais do que se faz – da importância e da necessidade da preservação e recuperação do meio ambiente. Mais que retórica de partidos políticos, realmente há que se fazer investimentos para devolver à natureza a saúde que lhe foi roubada em função da ganância, do despreparo, da ambição desenfreada e da falta de compromisso, responsabilidade com as gerações futuras.

Numa visão mais ampla, assim como os gaviões, o homem precisa sim proteger sua cria – alguns nem isso fazem –, mas não somente os seus filhos, os quais, egoisticamente, seriam mais importantes do que os filhos dos outros. Precisa proteger sua espécie, sua condição humana, em consonância com a natureza, em parceria com as nascentes, rios, árvores, aves e animais.

A vida urbana tem lá suas vantagens, porém nos condiciona a valorizar o Ter em detrimento do Ser, a dar importância a coisas efêmeras, passageiras, nos afastando da nossa essência, de seres que possuem uma alma, uma mente, um corpo e habitam um planeta maravilhoso, contido no universo inenarrável.

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