Entenda como funciona a teoria relativa ao item, usada no Enem

Novembro 10, 2010 Nenhum comentário

A teoria de resposta ao item (TRI) é o principal argumento do Ministério da Educação (MEC) ao garantir que o agendamento de uma nova prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não vai beneficiar um pequeno grupo de estudantes. Segundo nota divulgada pelo MEC, “com a TRI, o conjunto de modelos matemáticos usados no Enem permite que os exames tenham o mesmo grau de dificuldade”.

Na TRI, o foco é no item, como é chamada cada questão, e não no total de acertos. A teoria é o conjunto de modelos que relacionam uma ou mais habilidades com a probabilidade de a pessoa acertar a resposta.

Raquel da Cunha Valle, estatística da Fundação Carlos Chagas, diz que “a TRI atribui não só o certo e o errado, mas o grau de dificuldade”. “Não é só o acerto e erro, há várias coisas em consideração. Cada item tem uma característica muito particular”.

O professor Tufi Machado Soares, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), explica que “as questões têm diferentes pesos, que dependem das suas propriedades”.

De acordo com Soares, no sistema usado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que organiza o Enem, para cada item/questão é construído um modelo representado por três parâmetros: a discriminação (que ajuda a diferenciar a habilidade dos alunos), o grau de dificuldade e o acerto casual.

Ainda de acordo com o MEC, a TRI é usada desde 1995 nas provas do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que mede o desempenho de estudantes do ensino fundamental e médio. A teoria começou a ser aplicada no Enem no ano passado, para garantir a possibilidade de comparação das notas de diversos anos.

Sem benefícios

Para especialistas, se for bem utilizada, a TRI realmente garante que a realização de uma nova prova não vai beneficiar poucos estudantes.

“Aplicando de acordo com as técnicas apropriadas, isso [agendamento de nova prova] não caracterizaria uma vantagem”, afirma o professor Soares. “É possível obter testes de resultados que podem ser comparados em momentos diferentes, em populações diferentes, com itens [questões] diferentes.”

“Tem que ser uma prova totalmente diferente, eles [responsáveis pela prova] terão que avaliar, mas, como vai ser processada pela TRI, não há prejuízo nem vantagem. A desvantagem é o inconveniente de ir até o local de prova e fazer tudo de novo. Mas, em termos de resultado, ele [aluno] não vai ser beneficiado nem prejudicado”, diz Raquel.

Ela afirma que, “se a teoria é aplicada, não é necessário ter a mesma prova para todo mundo”. “Há condições de corrigir esses itens todos em conjunto e dar uma nota para cada pessoa”.

Disputa judicial

O Enem 2010 foi aplicado neste fim de semana, em todo o país. Balanço divulgado pelo MEC informa que 3,3 milhões de pessoas participaram da prova. No sábado (6), estudantes reclamaram de erros na impressão da folha de respostas e da prova amarela. O MEC já admitiu as falhas.

A estimativa é de que cerca de 2 mil estudantes foram prejudicados pelas falhas na prova amarela. Eles não trocaram os cadernos que chegaram com questões repetidas, sequência numérica errada e até algumas questões de um outro modelo aplicado, a prova branca. O ministério havia informado que avaliava a possibilidade de realizar um novo exame para esse grupo de alunos.

No entanto, a juíza Karla de Almeida Miranda Maia, da Justiça Federal do Ceará, entendeu que a nova prova pode beneficiar alguns estudantes e decidiu suspender o Enem. “A disponibilização de requerimento àqueles estudantes prejudicados pela prova correspondente ao caderno amarelo, e a intenção de realizar provas apenas para os que reclamarem administrativamente, não resolve o problema. Novas provas poriam em desigualdade todos os candidatos remanescentes. Do mesmo modo, novas provas não solucionaram o problema da segurança na aplicação do exame”, diz trecho da liminar.

A Advocacia Geral da União (AGU) informou que vai recorrer ainda nesta semana, a pedido do MEC.

Fonte: G1

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