Limeirense Guilherme Guido traz mais 3 medalhas da Copa do Mundo na Ásia
Outubro 23, 2010 Nenhum comentário
O pequeno Guilherme sofria com crises de bronquite e, como tantas outras crianças com problemas respiratórios, procurou a cura na natação. O que ele não imaginava naquela época é que, aos 23 anos, seria um dos principais nomes do mundo nas piscinas. Pois nesta semana, o limeirense Guilherme Guido desembarcou no Brasil trazendo no peito três medalhas – duas de ouro e uma de prata – conquistadas nas etapas de Pequim e de Cingapura da Copa do Mundo, disputadas nos dois últimos finais de semana.
Essas medalhas confirmam que o nadador vive grande fase, gabaritando-se como favorito em todas as provas de que tem participado. É o ápice de uma carreira iniciada na Piscina Municipal “Alberto Savói”, com passagens pelo Nosso Clube e pelo Gran São João.
“Quando o Guilherme tinha 15 anos, numa competição no Corinthians, o pai do César Cielo veio me falar pra levarmos os meninos pra treinar em São Paulo”, conta Carlos Alberto Lemos Guido, o Beto, pai do atleta. “Topei e eles começaram a nadar no Pinheiros”.
Todo domingo, Beto passava na casa de Cielo e levava os dois nadadores para a Capital, onde moraram juntos até decidirem treinar nos Estados Unidos. De Santa Bárbara D’Oeste, Cielo foi para Auburn, no Alabama, e se tornaria depois campeão olímpico dos 50 metros livre, além de atingir muitas outras marcas notáveis, como o título mundial e o recorde dos 100 metros livre. Guilherme optou pelo Tenessee, onde só ficou dois meses e meio, voltando em seguida para São Paulo.
Foi treinando no Pinheiros que o limeirense conseguiu resultados expressivos, como o 4º lugar no Mundial de Roma, em 2009, na prova dos 4×100 metros medley com a equipe do Brasil. Foi uma disputa espetacular, em que os quatro primeiros revezamentos bateram o recorde mundial que os EUA haviam obtido na Olimpíada de Pequim 2008. Também no ano passado, no Parque Aquático Maria Lenk, Guilherme obteve o 5° melhor tempo da história nos 50 metros costas. Dos últimos Jogos Olímpicos, ele trouxe um 18º lugar nos 100 metros costas e um 10º nos 4×100 metros medley.
Guilherme também tem representado o Brasil nos Jogos Militares, após entrar para o Exército. E ainda tem arrumado tempo para alguns trabalhos como modelo. De bem com a vida, Guilherme parece estar na sua melhor forma.
“Ele pegou ritmo e vem nadando contra os melhores do mundo, o que faz com que seus tempos melhorem também”, analisa seu pai. Logo após as disputas em Cingapura, o nadador deu a entrevista a seguir ao PLUG, na qual falou sobre sua vida nas piscinas.
Como você iniciou sua carreira?
Aos 5 anos de idade, por indicação médica. Eu sofria de crises de bronquite muito fortes.
Quais você considera os seus melhores resultados?
O quarto lugar no Mundial de Roma, em 2009, e o recorde sul-americano das provas de 50 e 100 metros costas, tanto em piscina longa, de 50 metros, quanto na curta, de 25 metros.
Quando você começou, imaginava chegar tão longe?
Quando era menor e comecei a despontar na natação, sabia que tinha uma certa facilidade, mas nunca imaginei que nadaria uma Olimpíada.
Um atleta de ponta tem uma vida cheia de sacrifícios. Qual a parte mais difícil da sua rotina?
Às vezes, você tem que abrir mão de várias coisas. A parte mais difícil pra mim é acordar cedo e ter que entrar na água quando está frio.
Em contrapartida, os resultados trazem a fama. Como você lida com isso?
Nunca me importei muito com isso. Acho que a fama é consequência e o reconhecimento de um trabalho duro. Tento ser eu mesmo o tempo todo.
Você tem experimentado alguns trabalhos como modelo. Pensa em seguir nessa carreira?
A natação nos proporciona um corpo bastante atlético, pois exercita praticamente todos os músculos. Isso faz algumas portas se abrirem. Não penso em seguir essa carreira, não, mas penso em conciliar as duas coisas.
E como tem sido a experiência na vida militar?
Uma experiência muito bacana, que eu também nunca imaginei passar. Os treinamentos foram um pouquinho duros, mas era preciso passar por isso. Hoje estou muito feliz fazendo parte do Exército brasileiro e podendo defender o Brasil em competições militares.
Você teve que sair cedo de Limeira para se dedicar à natação. Como tem sido sua relação com a cidade?
Saí bem cedo mesmo, aos 15 anos de idade, mas São Paulo fica pertinho e sempre que sobra um tempo vou visitar minha família e amigos. Mais ou menos uma vez por mês, tento passar o final de semana em Limeira.
O César Cielo afirmou que quer trabalhar para desenvolver a natação em Santa Bárbara D’Oeste. Você gostaria de fazer algo semelhante em Limeira?
Por enquanto não penso nisso, mas acho um projeto bem interessante.
Quais seus objetivos daqui para frente?
Tento sempre pensar num passo de cada vez. Estou voltando pro Brasil depois de competir na China e em Cingapura. Minhas próximas competições neste ano vão ser a Copa do Mundo em Estocolomo, na Suécia, e a principal, o Mundial de piscina curta, em Dubai.
Que conselho você daria às crianças que estão começando a praticar a natação com o sonho de se tornarem grandes campeãs?
A primeira coisa que eu posso falar é que quanto maior o objetivo, maior será o sacrifício. Isso eu aprendi ao longo da minha carreira. Muito importante também é que, se você tem um sonho, tem que correr atrás e tentar. A diferença vai ser o quanto você confia em si mesmo. Confiança é a chave desse esporte.
Por Marcos Paulino
