Francamente: Um balanço de uma campanha

Outubro 11, 2010 Nenhum comentário

Nos últimos meses, estive envolvido numa campanha eleitoral. Depois de passar vários anos sem me meter com política, resolvi aceitar o convite para trabalhar novamente nessa área por dois motivos: desafio profissional e crença de que o candidato a deputado realmente era uma ótima opção.

Já havíamos atuado juntos na administração pública e eu sabia da sua idoneidade, da sua capacidade e de suas boas intenções.
Muitas vezes me perguntam se eu trabalharia para fulano ou sicrano. Na política, assim como em todo o resto, só dinheiro não conta. Por isso, minha resposta em geral é não. Desta vez, porém, a vontade de trabalhar de novo numa campanha e o currículo do candidato me atraíram. Não me arrependi.

Fizemos um trabalho interessante, buscando alternativas criativas para a falta de recursos financeiros.
O partido garantiu um razoável volume de material gráfico, e os exemplares que mais me agradaram foram aqueles que, além do número do candidato, também traziam informações úteis, como orientações sobre cuidados com as crianças e dicas para os aposentados. Em vez de apelarmos para os pavorosos cavaletes nas calçadas, optamos por uma campanha na base do corpo a corpo.

Caminhamos por vários bairros, interpelando as pessoas, ouvindo o que tinham a dizer, colocando as propostas e, claro, pedindo os votos. Na véspera da eleição, estávamos otimistas com a boa recepção de que sempre desfrutamos. Mas, mesmo que não fosse assim, não sairíamos espalhando santinhos nas vizinhanças das seções eleitorais.

Enfim, não conseguimos eleger nosso candidato, mas saímos com a consciência tranquila de termos feito uma campanha ficha limpa, honesta, que respeitou os cidadãos e o meio ambiente.

O que me desapontou, entretanto, foi ver reportagens na TV que mostravam pessoas catando santinhos de última hora nas ruas para que servissem como colas. Foi, poucas horas antes das urnas serem abertas, conversar com amigos, muitos deles bastante instruídos, que ainda nem sabiam como ou em quem votar. Foi ver que candidatos que esbanjaram dinheiro sem dó conquistaram um caminhão de votos. Foi, acima de tudo, constatar que o poder econômico faz muita, enorme diferença numa eleição.

Esse tipo de distorção só será diminuída se forem adotados o voto distrital e o voto facultativo. Fazendo campanha em regiões menores, justamente aquelas que pretendem representar, os candidatos terão mais condições de estar perto da população gastando muito menos. E, permitindo que compareça às urnas somente quem realmente quer votar, evitaremos que se elejam eleitos palhaços a serviço das piores intenções.

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