Francamente: Liquidificador de ataques
Outubro 23, 2010 Nenhum comentário
A campanha a presidente da República que Dilma Rousseff e José Serra vêm protagonizando desde que as urnas os colocaram no segundo turno deixa muito a desejar. Vote você em quem votar, leitor-eleitor, há de concordar com isso.
Nos debates, nos programas na TV e no rádio, nos jingles, o que se vê são agressões de lado a lado, que de nada auxiliam o cidadão na hora de escolher seu candidato.
Este segundo turno tornou as eleições presidenciais plebiscitárias. De um lado, quem apoia o presidente Lula e, portanto, votará em Dilma. De outro, quem é contra, e se decidiu por Serra. Mesmo quem optou pelo meio termo Marina Silva agora terá que pender para um ou outro candidato. Dilma e Serra representam provavelmente os únicos partidos de expressão nacional que aglutinam uma militância por ideologia. Talvez o PV esteja entrando nesse grupo, mas ainda é cedo para apostar nisso.
O fato é que hoje é difícil alguém dizer que é simpatizante do PMDB, do DEM ou do PR por convicção em seus ideais, a não ser os políticos profissionais. A população, em geral, escolhe seus candidatos pelo nome, e não pelo partido. Mas há petistas e tucanos que brigam por seus candidatos sejam eles quem forem. Vestem a camisa mesmo.
Sendo assim, este segundo turno se tornou uma espécie de clássico da política, um derby. Um vermelhos contra azuis, como os bois Garantido e Caprichoso de Parintins. É uma batalha que guarda em si mais que somente a disputa pelo poder, abriga uma rivalidade de muitos anos. Uns são oposição aos outros, que se tornarão eles também oposição se os adversários tomarem seus lugares.
Num cenário desses, não é de se admirar que o debate de propostas tenha sido mandado às favas. O que importa, nesta altura da campanha, é desqualificar o adversário. Dilma não conseguiu gerenciar nem uma loja de brinquedos em Porto Alegre, o que dizer de uma nação?, questiona a propaganda de Serra. Já petistas afirmam que o tucano privatizou estatais com interesses escusos. E nesse liquidificador de ataques vão sendo moídos temas como o aborto e as drogas, o valor do salário mínimo, bolsas disso e daquilo, tudo triturado em pedacinhos de insignificância.
Os marqueteiros esquentam os miolos à procura da melhor sacada para ferir os adversários, do verso que vai sangrar a militância do outro lado, do slogan que será mais eficaz para vender seu candidato. E nisso gastam-se infindáveis horas de TV e rádio, jogam-se no lixo milhões de toneladas de papel.
Tenho meu candidato e nele votarei com convicção e confiança. Mas lamento que esta campanha tenha impedido aqueles que ainda têm dúvida de escolher seu preferido com a mesma segurança.
