Francamente: Buscar a vitória acima de tudo

Outubro 16, 2010 Nenhum comentário

Era a decisão de um torneio  interno de vôlei do clube do qual sou sócio. Dos quatro times que participaram, os dois melhores, um deles o meu, enfrentavam-se para ver quem ficaria com o título. Resumindo a história: a coisa esquentou a tal ponto, com ofensas ao juiz e provocações de lado a lado, que precisamos pedir um tempo e nos entendermos para jogarmos como gente civilizada. Vale lembrar que todos os envolvidos se conhecem, alguns são amigos de verdade, e costumam treinar juntos.

É importante ressaltar ainda que se tratava de um torneio interno, só para associados, portanto livre de maiores rivalidades. E que o prêmio em questão era apenas uma medalha, dessas de plástico, pintada de dourado. Mas bastou que os amadores colocassem uniforme e brigassem por um título para que se sentissem como feras das quadras em uma competição internacional. Que fair play que nada! O negócio é ganhar, na bola ou no grito.

E se até na pelada semanal que jogo com meus amigos ninguém quer perder, não é difícil imaginar a que extremos chegam as disputas nos esportes de alto rendimento, onde, além de títulos, há fortunas envolvidas. Foi tentando entender isso que analisei o jogo que o Brasil teria entregado no Mundial de vôlei.

Sou a favor da honestidade, sempre. Até por pregar isso com insistência na minha turma de boleiros, as discussões acabam sendo minimizadas. Na dúvida, tentamos acreditar no reclamante. E bola para frente. Mas é duro  manter a integridade quando tem gente querendo sacaneá-lo. Foi o que aconteceu no campeonato de vôlei disputado na Itália, que teve um regulamento escandalosamente montado para favorecer o time da casa.

Foram tantos os descaminhos para bolar os cruzamentos dos times, na tentativa de livrar os italianos dos adversários mais fortes, que se abriu o paradoxo de que, às vezes, era melhor perder o jogo para colher melhores frutos lá na frente. Não acho que os fins justifiquem os meios e, sendo assim, acredito que o ideal seria a seleção de Bernardinho ganhar de quem cruzasse seu caminho.

Entendo que é duro ser bonzinho na cova dos leões. Contudo, a conquista do tricampeonato poderia ter vindo sem uma mancha.
Sejamos sinceros, porém. No vôlei, no futebol, na fórmula 1 ou em qualquer outro esporte profissional, sempre a vitória será buscada acima de tudo.

Mesmo que para isso sejam deixadas de lado a ética e a transparência. É uma pena que os casos em que o fair play se sobressai sejam tão raros que até mereçam destaque quando acontecem. Deveriam ser a regra, não a exceção. O mundo de corpos saudáveis do esporte deveria ser saudável também nos bastidores. Papai Noel, no entanto, não existe.

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