Setembrite: Mês de inscrições nos principais vestibulares costuma deixar alunos mais tensos
Setembro 4, 2010 Nenhum comentárioEmanuelle Bárbara Dias, de 20 anos, já está mais nervosa. Tem sido assim nos últimos três anos, sempre que começa o mês de setembro, anunciando a proximidade dos principais vestibulares do país. Ela sonha em cursar Medicina na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e desde que concluiu o Ensino Médio vem tentando.
Já prestou também Ciências Biomédicas e Química, cursos menos concorridos, mas o que quer mesmo é ser médica. Sabe das dificuldades de entrar nessa carreira em uma universidade pública, por isso fica agoniada conforme os últimos meses do ano se aproximam.
“Sinto pressão no cursinho e na minha família”, afirma Emanuele, que, contudo, garante estar confiante, principalmente nas disciplinas de humanas e biológicas, aquelas em que vai melhor. Mas, por via das dúvidas, já intensificou o volume de estudos. Junto com a coordenação de seu pré-vestibular, elaborou um plano que inclui revisão da matéria dada em sala de aula no dia, participação em simulados nos finais de semana, treinos de redação no domingo à tarde e ralação até as 22 horas de segunda à sexta. Emanuelle admite que é uma rotina cansativa, mas que vale a pena na luta para realizar seu sonho.
INDECISÃO
Se para Emanuelle, que já decidiu que profissão pretende seguir, esta época do ano garante uma dose extra de nervosismo, imagine para quem ainda está cheio de dúvidas. É o caso de Cézar Perazolli, de 18 anos, que já prestou cursos tão diferentes entre si quanto Oceanografia, Engenharia de Materiais e Arquitetura. Ele tem mais inclinação pela última, mas acredita ser muito difícil entrar nesse curso numa faculdade pública. Diz também gostar de Moda, porém vê poucas opções em universidade gratuitas. “E não vai dar pra pagar uma particular”, explica.
A angústia de Cézar aumenta ainda mais quando o fim do ano se aproxima. “Dá mais aperto no coração”, conta. “Fico mal quando penso em não passar no vestibular”. Sua estratégia de estudos, traçada com orientação do coordenador de seu cursinho, prevê a revisão de questões em que tem mais dificuldade e a realização de simulados. “Também presto muita atenção nas aulas, mas sinceramente tenho a impressão de que não vou conseguir”, admite.
Segundo Célio Tasinafo, coordenador do curso pré-vestibular Oficina do Estudante, de Campinas, os quatro últimos meses do ano são realmente os mais tensos e es-tressantes para os vestibulandos. O início desta temporada já até ganhou um nome específico: “se-tembrite”. “Cada um desses meses do segundo semestre exige decisões e comportamentos fundamentais por parte dos vestibulandos”, explica. “No caso de setembro, a ansiedade atinge, principalmente, os estudantes que ainda têm dúvidas sobre qual universidade ou curso pretendem, de forma prioritária. Isso porque setembro é o mês das inscrições para os principais vestibulares”.
Diante de tantas carreiras oferecidas, afirma Célio, é natural a ansiedade no momento em que se tem que fazer uma escolha tão importante. Justamente por isso, ele diz, o vestibulando deve fazer sua escolha considerando vários itens. É importante, por exemplo, levar em contas suas habilidades pessoais e interesses. “Nada de escolher com base em palpites alheios, que sempre enfatizam a rentabilidade da carreira, ou com ba-se na relação candidato/vaga, mesmo porque nem sempre os cursos com concorrência baixa oferecem mais facilidades para o ingresso”, avisa.
A rotina da profissão é outro ponto a ser levado em conta. É importante que o vestibulando conheça as atividades dos profissionais da área em que pensa em ingressar. Quanto à universidade, alerta Célio, a escolha deve ser baseada em critérios técnicos. É preciso considerar as grades cur-riculares do curso em cada instituição pretendida, o que permite identificar o tipo de formação oferecida por cada uma. “Grades curriculares com maior quantidade de laboratórios tendem a proporcionar uma formação mais prática e menos teórica”, e-xemplifica o coordenador.
Também é preciso checar a quantidade de professores por aluno. Em geral, as melhores universidades são as que apresentam maior número de docentes por estudante, o que permite uma formação mais individualizada e, por conseguinte, mais consistente.
Outro ponto a ser observado são as características físicas dos espaços que realmente importam em uma instituição de ensino, ou seja, laboratórios e bibliotecas. “Prédios lindos são apenas lindos. Não se trata de escolher o lugar mais bonito, mas o local com as melhores condições para as atividades de ensino e aprendizagem”, explica Célio.
A titulação dos professores também deve ser encarada como um ponto fundamental no momento da escolha da universidade onde se pretende estudar. Aquelas com maior número de mestres e doutores apresentam maior vocação para pesquisa e, portanto, tendem a oferecer melhor formação acadêmica.
E além dessas observações mais técnicas, também é preciso seguir velhos e preciosos conselhos, como administrar o tempo e fazer um planejamento com as datas de inscrição e provas, não virar noites estudando e reservar tempo para o lazer e se alimentar bem e fazer alguma atividade física.
Feito isso, o vestibulando terá mais chances de conseguir um antídoto para a setembrite e ganhará mais tranquilidade para escolher o curso e a universidade de sua preferência e encarar as provas sem maiores traumas.
Por Marcos Paulino

