Mente Sadia: Mais uma
Setembro 4, 2010 Nenhum comentárioDe uma série, hoje estarei contando mais uma história do cotidiano, com o objetivo de “vermos” um pouco mais além do que nossos olhos podem ver. Deste caso, tenho um pouco mais de informações em relação aos relatados anteriormente, o que nos possibilita “desculpar o sujeito por ser quem ele é”.
Emanuel (nome fictício) nasceu de pais usuários de drogas, que não tinham condições de sustentar os próprios vícios, quem dera cuidar dos filhos, que através deles vieram ao mundo. Juntamente com uma irmã, foram destituídos dos pais e colocados em um abrigo para menores à espera de alguém que os quisessem adotar.
Conta a história que um dia chegaram uma mulher e seu companheiro, com o propósito de adotar uma menina. Neste caso, como eram irmãos, a liberação só se daria caso o menino fosse junto. A adotante, diante da impossibilidade de desfazer o pacote, leva-o completo, passando a ter um casal de filhos.
Emanuel deveria ser eternamente grato, pois ganhara um lar a reboque da adoção da irmã. Ocorre que, embora tenha desenvolvido um amor de paixão por esta “mãe”, ela parece que nunca pode amá-lo verdadeiramente, aplicando castigos “cor-retivos”desmedidos a um garoto de pouca idade. Ainda pequeno, era impedido de entrar em casa para dormir, por ter fugido da escola. “Se era na rua que queria ficar, então que ficasse de vez”. Como se não bastasse toda a droga de vida que levava, aderiu ao uso de drogas, sem ter o mínimo de estrutura físico-mental-psicológica para administrar os momentos de entorpecimento da realidade provocado pelo uso, nem da sua abstinência.
Entre umas internações e outras, anda pelas ruas pedindo ajuda para continuar sobrevivendo (comida), e através de falsas verdades, conta histórias para obter dinheiro e consequentemente drogas.
Seria um problema cármico? Caramba! Não dera sorte ao nascer, cresce em meio a tudo que podemos imaginar inóspito para o bom desenvolvimento de uma pessoa, encontra quem o ama incondicionalmente, mas tem medo de chamar para si a responsabilidade. Retribui o amor que lhe é dado, mas não adere, parecendo se proteger de apegos que só o fizeram sofrer.
Como outros, perambula pelas ruas em corpos maltratados, e mentes estilhaçadas, que já não encontram mais os seus pedaços.
