Francamente: A paz não se compra, Neymar

Setembro 18, 2010 Nenhum comentário

O jovem atacante Neymar, do Santos, tem estado em todas ultimamente. É protagonista de notícias positivas e negativas. Pode tanto viver de dias de herói quanto de vilão, apesar de, ao que parece, ser visto com mui-to mais simpatia que antipatia pela grande maioria dos brasileiros.

Neymar sintetiza, enfim, o que é ser uma celebridade hoje. Pouquíssimo conhecido há coisa de dois anos, ascendeu à condição de estrela de forma meteóri-ca, como o mais visível integrante da nova geração de Meninos da Vila. Aliás, interessante essa reincidência santista em formar garotos-craques em sua vila.

Mas o que me interessa agora não é analisar o futebol em si, mas como nossa sociedade cria pseudomitos instantâneos e, então, alimenta-nos incessantemente de informações sobre eles, mesmo as mais desinteressantes. E aí qualquer deslize do novo astro vira notícia.

Vide o caso do vídeo em que jogadores do Santos discutem, via Twitter, com internautas. Foram massacrados por boa parte da opinião pública. Mereciam um puxão de orelhas? Talvez. Mas a voz da repressão vem firme, exagerada, sobre quem tem tanta exposição.

Essa mesma exposição que massacra, por outro lado, rende frutos, riquíssimos frutos. E enche bolsos, estufa-os até não mais poder, até que os pontos que os prendem às calças ameacem se romper. Calcula-se que Neymar, ao recusar proposta do inglês Chelsea, optando por ficar na Vila Belmiro, passou a vislumbrar um faturamento de R$ 650 mil mensais, entre salário e outras formas de arrecadação.

E, mesmo ganhando fortuna desse naipe num país de tantos miseráveis, ainda foi tratado como herói nacional por resistir aos apelos dos europeus – esses malvados que querem colonizar nossos jovens craques -, teimando em permanecer em solo pátrio. Deixe-se de lado a provável ambição de Neymar em ser melhor do mundo na bola, e não só na grana, e se calcule, então, que, após dois anos ganhando tanto dinheiro, ele pode pendurar as chuteiras e garantir a fartura a várias gerações de herdeiros. Pode ser merecido para um cara que rende tantos dividendos a tanta gente. Pode ser.

Mas, mais uma vez, é exagero. Neymar ganha muito mais, por exemplo, que o multicampeão Bernardinho, fenomenal técnico da Seleção Brasileira de vô-lei. Mas comparações são perigosas quando confrontam atividades diferentes, ainda que ambas esportivas.

Sabemos que as pressões futebolísticas são extremamente maiores que as que incidem sobre outras modalidades. E é até por isso que Neymar, ainda iniciante, tuitou recentemente o desabafo de que estaria cansado disso tudo. Ele tem apenas 18 anos. E em breve terá quase tudo o que o dinheiro pode comprar. Mas deve se lembrar de que paz não se compra.

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