Robson Reis faz paródia de Crepúsculo em gibis
Agosto 21, 2010 Nenhum comentário
Tudo começou como uma brincadeira. “Queria zoar uma amiga que adorou o livro”, conta Robson Reis, de 29 anos, ilustrador e chargista de Teresópolis, ra-dicado em Paulínia desde 2000, que há quase dois anos vem arregimen-tando uma legião de fãs com personagens que fazem uma paródia da série “Crepúsculo”, colossal e vam-piresco sucesso em livros e filmes.
A turma criada por Robson, sob o nome de “Crepusculinho”, começou aparecendo em tirinhas e hoje circula em todo o país, e até no exterior, em gibis e sites. Antes de ficar sabendo pela amiga das aventuras de Edward, Jacob e Bella, ele nem imaginava do que se tratava. “Aí um primo me emprestou o livro e li em um final de semana, porque tinha que devolver na segunda-feira”, recorda-se. Inspirado pela trama sobre vampiros e lobisomens, Robson fez as duas primeiras tiras, tirando um sarro da Bella.
Sem maiores pretensões, mandou as historietas, além de uma ilustração em estilo mangá dos protagonistas, também para o Foforks, site dedicado ao “Crepúsculo”. “Ao contrário do que eu imaginava, não ligaram para o mangá, e me convidaram para fazer parte da equipe do site desenhando mais tirinhas”. Seriam duas por semana. Robson, que desenha desde criança e vive de sua arte há 10 anos, achou que sua participação não duraria muito. Mas os leitores do site curtiram e desde então mais de 100 tiras já foram feitas. Só uma historinha especial de Natal, postada no final de 2009, teve 100 mil visualizações.
Para além do Foforks, a presença dos personagens de Rob-son foi se espalhando nos sites de relacionamento. No Orkut, ele mantém cinco perfis, acessados regularmente por 8 mil pessoas. No MySpace, mais 4 mil internautas acompanham seu trabalho. Num levantamento que ele realizou pelo Google, encontrou suas tiras repro-duzidas em mais de 300 blogs.
E, como a rede não tem fronteiras, o “Crepusculinho” passou a interessar também aos gringos. Voluntariamente, fãs já traduziram para o inglês 15 tirinhas. A série tem um fã-clube no México e admiradores em Portugal, na Argentina e no Paraguai. Assim, já se faz necessária a tradução também para o espanhol. “No Facebook, a maioria dos contatos já é em espanhol”, revela Robson. Porém, muitos dos fãs do “Crepus-culinho” começaram a pedir algo mais “palpável”, como ele define. Veio então a ideia de fazer um gibi, que neste mês chegou à segunda edição.
Foram vendidos mil exemplares de cada edição, número significativo se for considerado que Rob-son cuida de tudo sozinho. Isso compreende criar o roteiro, fazer as ilustrações, diagramar, mandar para a gráfica, receber os pedidos via internet e colocar os exemplares no correio, para locais como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belém, cidades que reúnem o maior número de compradores. Com isso, cada revistinha sai por R$ 7,00, apesar do interior em preto e branco. “Não tenho anunciantes, talvez porque tenham receio por ser uma paródia”, avalia. “Se fosse colorir o gibi todo, ficaria muito mais caro”.
Recentemente, Robson fechou uma parceria com a Lia Shop, uma loja de Limeira especializada em artigos da série “Crepúsculo”, onde os gibis também podem ser encontrados. Ele gostaria de fazer edições mensais, mas avisa que isso só será possível se rolar uma parceria com uma editora ou se os anunciantes perceberem o potencial do “Cre-pusculinho”.
Sobre o fato de ser uma paródia, aliás, Robson está bem tranquilo, apesar de às vezes receber críticas de algum fã mais radical da trama original. “Para cada mil elogios, recebo uma crítica”, desdenha.
Sobre acusações de que desrespeitaria os direitos autorais dos criadores de “Crepúsculo”, Robson tem convincentes argumentos em sua defesa. Garante que a editora que publica a série original, assim como a distribuidora dos filmes, sabe da existência do “Crepusculinho”. “Além disso, paródia não é plágio”, argumenta, reforçando que, até para evitar maiores problemas, trocou os nomes dos personagens.
Para um trabalho que pintou “por acaso”, como o próprio autor admite, “Crepusculinho” vem lhe dando muitos dividendos. “Está valendo a pena, hoje as pessoas sabem que eu existo”, proclama Robson.
Por Marcos Paulino
