Mente Sadia: Dona Maria
Agosto 7, 2010 Nenhum comentário
Embora já tenhamos caminhado, e muito, por caminhos do passado, presente, “futuro”, literalmente estávamos caminhando quando Dona Maria faz o se-guinte comentário: “Essas árvores, hein!”, referindo-se às folhas e flores ao chão.
De imediato, antes que o comentário “negativista” se estendesse, completei a frase: “É, essas árvores, que maravilhas, enchem o nosso caminho de folhas e flores para passarmos”.
Dona Maria, possivelmente surpresa com o desvio que fiz do queixume, retruca: “Você poderia ser um poeta”. Um silêncio se faz, engrenamos outro assunto e fomos rumo ao nosso objetivo inicial.
Dona Maria é um exemplo vivo do modo de muita gente ver o mundo: focada nos problemas, transforma o belo em algo ruim, construindo ao redor de si um depósito de lixo sem limites, pois sempre cabe mais. Dessa forma, essas pessoas vão se afastando de coisas e pessoas, ficando ca-da vez mais próximas do abismo que constróem dentro de si mesmas, prejudicando o olhar através dos problemas, pois tudo vai se tornando obscuro, estragado etc.
Como se diz, “quem planta vento, colhe tempestade”, isto é, o tempo nos traz, acrescidas de juros e correções, as aplicações que fazemos. Somos nós os arquitetos e moradores das nossas construções.
Se nos sentimos sufocados, temos que avaliar o que estamos fazendo com o ar a nossa volta; se nos sentimos traídos, devemos rever nosso trajeto em relação ao outro (a); se não progredimos profissionalmente, vejamos se realmente investimos energia positiva e fizemos a nossa parte. Nestes termos, nada é o que é, tudo é consequência do que fazemos – ou não fazemos.
Meu amigo, aquele da recente coluna, cada vez mais acuado pelas grades que construiu ao redor de si mesmo – quando na verdade discursava por liberdade –, tem tido insights cada vez mais claros a respeito do seu estar no mundo, e das consequências de suas construções, por vezes me provocando com descrenças, possivelmente para me testar. Perguntou-me se já havia pensado em fazer o trabalho que ele faz, enquanto ele estaria tomando banho de cachoeira, e o que sentiria. Respondi: “Talvez quem se surpreendesse fosse você, ao me ouvir dizer que aprendi tanto, e que teria sido uma experiência interessante”. Ele riu e disse: “Você tinha que ser mesmo psicólogo”.
Não é uma questão de ser psicólogo, ou qualquer outra coisa. É uma escolha de vida: viver e aprender sempre.
