Jovens e gordos: Pesquisa mostra que adolescentes de SP estão com IMC acima dos parâmetros
Agosto 14, 2010 1 comentário
Uma pesquisa realizada com 8.020 adolescentes entre 10 e 15 anos, alunos de 43 escolas públicas e privadas de cinco regiões da cidade de São Paulo, identificou que os jovens da capital estão com o Índice de Massa Corporal (IMC) acima dos parâmetros internacionais, de acordo com a idade e sexo, e que os meninos estão mais obesos que as meninas.
A pesquisa apontou que, no total, 25,56% dos adolescentes estão com so-brepeso ou obesidade, sendo que a prevalência desse quadro em escolas públicas é de 23,13%, e nas escolas particulares, de 33,2%.
Segundo a pesquisadora Maria Aparecida Zanetti Passos, do Centro de Atendimento e Apoio ao Adolescente da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), a obesidade atinge uma população cada vez mais jovem e é grande o número de adolescentes brasileiros com IMC acima do percentil 95, sendo que entre 85 e 95 é considerado sobre-peso e a partir de 95 já se atingiu nível de obesidade.
No total, 9,89% dos alunos entrevistados são obesos, 15,67% apresentam sobrepeso e 2,77% estão abaixo dos parâmetros ideais. Uma vez que tanto sobrepeso e obesidade quanto o nível abaixo do considerado saudável são desvios nutricionais, foi possível concluir que 28,33% dos adolescentes apresentam algum tipo de problema.
Entre os meninos, 27,80% são obesos ou estão com sobrepeso. No universo das escolas particulares, 21% deles apresentam sobrepeso e 18% já estão em nível de obesidade. Esses índices caem um pouco quando é analisado o grupo das escolas públicas, onde 14% dos meninos estão com sobrepeso e 10% com obesidade.
“A vida moderna e o sedentarismo criaram hábitos alimentares que causam esses resultados. Hoje, o aluno vai para a escola com dinheiro e as lanchonetes disponibilizam uma quantidade enorme de frituras, refrigerantes e outros alimentos calóricos.
O adolescente está sempre com um refrigerante ou um salgadinho na mão”, avalia Maria Aparecida. E completa: “Mesmo em casa, a falta de tempo e a praticidade dos congelados e semiprontos, além de consumo excessivo de alimentos ricos em açúcares e gorduras, favorecem que a alimentação das famílias seja desequilibrada”.
A obesidade atinge também 8,12% das meninas avaliadas, que, somadas às 15,57% com sobrepe-so, representam 23,69% da população feminina da pesquisa. Quando separadas por grupos, nas escolas particulares 20% delas têm sobrepeso e 8% são obesas. Nas escolas públicas, 15% estão com sobrepeso e 8% com obesidade.
Os dados foram coletados entre 2003 e 2004 e foi publicada em 2010 a distribuição do IMC em percentis e comparada com parâmetros internacionais, o que comprovou que os níveis no Brasil estão acima da média.
O grupo foi avaliado de acordo com seu estado nutricional; levantamento de dados antropométricos, como relação de medidas entre cintura e quadril e circunferência de braços; peso; e questionário sobre hábitos alimentares e sedentarismo. “O resultado direto, mesmo que não tenhamos exames clínicos, indica que já temos uma parcela da população apresentando distúrbios”, avalia Maria Aparecida.
A próxima etapa do trabalho será iniciada neste mês, quando o subgrupo dos mesmos adolescentes que apresentaram sobrepeso e obesidade voltará a ser analisado. O acompanhamento incluirá um estudo longitudinal dessa população e contará com levantamento de histórico familiar de saúde, do período de amamentação e alimentação na primeira infância e aplicação de exames bioquímicos, como colesterol, triglicérides, insulina, glicemia e pressão arterial.
O objetivo é apontar a evolução dos quadros desses adolescentes.
Por Marcos Paulino

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