Francamente: Ser respeitado, não temido

Agosto 14, 2010 Nenhum comentário

Ser pai não é fácil. Está certo que a recompensa por tão complicada atribuição é a melhor que se pode esperar. Afinal, nada vale mais que o abraço sincero de um filho.

Mas que a missão não é moleza, todo homem que já colocou um herdeiro no mundo sabe muito bem. Tanto é verdade, que uma das grandes polêmicas recentes, que ainda ecoa em programas de TV, jornais e revistas, é a lei que proíbe os pais de aplicarem corretivos físicos nos rebentos. Nem uma palmada que seja está liberada.

Da minha parte, concordo plenamente. Nunca apanhei de meus pais, nunca bati nos meus filhos. Não me tornei pior por não ter levado uns tapas, nem acredito que meus filhos fossem melhores se eu os tivesse agredido. Porém, muita gente ficou revoltada com a tal lei. Está tão impregnada na cabeça de muita gente a cultura da palmada, que proibi-la parece intromissão do Estado na hierarquia familiar.

Prefiro acreditar que é possível conquistar e manter o respeito dos filhos na base do diálogo. Elevar a voz de vez em quando e lançar mão de algum castigo compatível com a idade, como cortar o videogame e proibir de ir àquela festa, são medidas que funcionam. Pelo menos na minha casa, por enquanto.

O problema é que cada família tem suas características e, em alguns casos, protestam certos pais, só mesmo uns tapas para colocar o filho no eixo. Creio que o buraco é mais embaixo. Se se chegou ao extremo de ter que bater, é porque alguma coisa ficou mal resolvida pelo caminho. E, provavelmente, agredir a criança ou o jovem só vai tornar as coisas ainda mais complicadas.

É preciso merecer respeito, não medo. Não me lembro de meu pai erguendo o tom para chamar a atenção dos filhos. No entanto, eu e meus irmãos concordamos que algumas conversas, em que ele nos mostrava quais eram nossos direitos e deveres, doíam mais que tapas. O que machucava era a vergonha, o arrependimento de ter falhado com alguém que nos depositava tanta confiança.

Leio sobre as histórias do goleiro Bruno e de sua desaparecida amante e fica mais fácil entender tudo o que envolveu o romance, se é que pode ser chamado assim. São casos de pais ausentes, que abandonam os filhos, de famílias em que ninguém se entende, de total deturpação de valores. Nada a ver com moralismo. Um casal pode se separar com dignidade e respeito, e os filhos, cedo ou tarde, saberão reconhecer isso.

A questão é que crianças são esponjas emocionais. Absorvem tudo aquilo que despejamos sobre elas. Quando apertadas pela vida, deixam escorrer o que acumularam. Se ficarem encharcadas de amor e carinho, será maior a chance disso devolverem. Se as enchermos de tapas…

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