Francamente: Antes atitudes que títulos
Agosto 7, 2010 Nenhum comentário
“Prefiro ser o segundo, como é a brincadeira que fazem, e continuar sendo a boa pessoa que sou”. Essa foi uma das frases que Rubens Barrichello soltou após o Grande Prêmio da Hungria, no domingo passado, quando, durante uma ultrapassagem sobre Michael Schumacher, foi praticamente jogado contra um muro pelo alemão.
A rivalidade entre os dois pilotos vêm do longo período em que conviveram quando corriam pela Ferrari.
Nem sei se é bem uma rivalidade. Parece mesmo ser um rancor que o brasileiro guarda por ter sido relegado à condição de segundo piloto. Schumacher, afinal, era um fenômeno da Fórmula 1, heptacampeão mundial, considerado um dos melhores de todos os tempos.
Mas Rubinho não esquece passagens como aquela em que ele, liderando até os últimos metros da corrida, precisou, por ordem da equipe, trocar de posição com o alemão, que vinha em segundo e brigava pelo título do campeonato.
A posição passiva de Rubinho naquela e em outras situações, além de vários momentos que irritaram uma boa parcela dos torcedores brasileiros, fizeram com que ficasse longe de ser uma unanimidade, até em seu próprio país. Pessoalmente, simpatizo com ele. Acho que é um cara honesto, competente. Mas que cometeu alguns erros, como querer assumir o lugar deixado por um ídolo como Ayrton Senna.
Assim, o polêmico Rubinho, injustamente tão ironizado, deixou muitos brasileiros carentes de um piloto por quem torcer nos domingos de manhã.
Até que surgiu Felipe Massa, um jovem rápido, que prometia levar o país novamente aos dias de glória na F1. Protagonizou grandes momentos, como a vitória no GP Brasil, mas algumas decepções, como a perda do título em 2008. Era, enfim, um ídolo em ascensão. Até que também teve que deixar um colega de Ferrari, no caso Fernando Alonso, ultrapassá-lo.
No início daquela corrida, meu filho, de 6 anos, torcia para que Massa conquistasse um lugar no pódio. “Mesmo que seja em terceiro, pai”. Na corrida seguinte, dizia: “Tomara que o Felipe seja o último”. Crianças têm bastante dificuldade em aceitar derrotas. Se os adultos ficaram decepcionados com Massa, imagine elas.
Ao contrário da maioria, não sou contra o jogo de equipes. Acho legítimo que pilotos que defendem as mesmas cores trabalhem em conjunto. No entanto, as estratégias deveriam ser transparentes, como no caso do batedor oficial de pênaltis de um time que deixa um colega cobrar se isso ajudá-lo a ser o artilheiro do campeonato. O que não se pode é brincar com as emoções das pessoas, sobretudo crianças.
Massa, assim como Rubinho, parece ser boa pessoa. Talvez bom demais para ser campeão, como analisou um ex-piloto sobre Barrichelo. Mais importante que títulos, entretanto, é legar atitudes.
