Mente Sadia: O trabalho é necessário; o sofrimento não

Julho 17, 2010 Nenhum comentário

O trabalho é necessário; o sofrimento é opcional.
Trabalhar, não necessariamente, significa prestar serviço, ser empregado, vender, comprar, produzir, instruir, ensinar etc. Aqui, trabalhar é toda atividade, toda ação, seja ela remunerada ou não.

Quando uma dona de casa varre a rua, recolhe o “lixo”, está fazendo a parte designada ao poder público, que arrecada impostos sob o pretexto de devolver em serviços aos cidadãos. Porém, nesta época, de queda de folhas e flores, a passagem dos varredores, duas, três vezes por semana, não é suficiente para manter as ruas limpas, sugerindo aos moradores colaborarem com a limpeza.

Essa colaboração para alguns já se tornou um hábito, um momento de conversar com a vizinha, de cumprimentar os transeuntes, até de fazer uma atividade física; para outros, é um tormento, um momento de perder tempo, de ficar tirando lixo para não ter a frente da casa emporcalhada por folhas e flores – quem dera todo lixo fossem folhas e flores! –, uma obrigação imposta por ela mesma, que não a deixa relaxar, aproveitar esse momento vivido.

Esse é um exemplo, dentre tantos outros, para nos fazer refletir sobre nossas ações no mundo. Sendo sujeitos que extraem prazeres do que produzem, e com isso se enriquecem, podemos acumular em nossa bagagem existencial experiências positivas que nos acompanharão por toda a vida, e nos sustentarão como memórias ou histórias nos momentos mais difíceis, os quais vez por outra atravessamos.

Por outro lado, se passamos a contabilizar as experiências do viver como vítimas de um sistema que age contra nós, nos marcando com “fatos” e imagens negativas, justificamos nossas dores e dissabores sem nos darmos conta do quão responsáveis somos pela nossa vida.

Há quem diga que “a semeadura é opcional, a colheita é obrigatória”, isto é: o futuro é sempre consequência do presente, e o presente é consequên-cia do passado.
Se ontem não plantamos, hoje não colhemos, amanhã não nos alimentaremos, e não será culpa de ninguém, será simplesmente responsabilidade nossa.

O vazio existencial que experimentamos, mais ou menos, dependendo de cada um, está diretamente relacionado ao que fizemos com nossas sementes; se as jogamos ao vento, se espalharam e foram germinar sabe-se lá onde – por isso nos sentimos sem direção –; se a retivemos em nossas mãos, não germinaram, de nada valeram.
Mas, se as plantamos, e as plantarmos com sabedoria, colheremos com prazer, com as vantagens de termos cumprido nosso ideal: sermos felizes.

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