Mente Sadia: Desilusão

Julho 31, 2010 Nenhum comentário

O que vou dizer é mais profundo do que vou dizer, mas, no momento, é o que dá pra dizer.
Pegarei carona numa música interpretada por Gilberto Gil, que de forma metafórica diz também mais do que diz, porém, cada um ouve com as condições que seu mundo interno lhe permite.

“Um dia, vivi a ilusão de que ser homem bastaria; que o mundo masculino, tudo me daria, o que eu quisesse ter. Que nada, minha porção mulher, que até então se resguardara, é a melhor porção que trago em mim agora, é o que me faz viver”.

Possivelmente, desde que o homem é homem, constantemente tem sido colocado em posição de luta. O que ocorre é que seus inimigos, opositores, estiveram sempre do lado de fora, desta forma, justificando seus comportamentos, estratégias, sofrimentos, êxitos, comemorações. Há pessoas que ainda vivem a ilusão de que seus problemas só ocorrem porque “existe o outro”. Alguns chegam, por vezes, imersos em suas próprias loucuras, a eliminar o(a) adversário(a), achando que dessa forma, delirante, seus problemas acabaram.

Que nada, cada vez mais, fica evidente que temos que trabalhar em duas frentes – a menos que nos tornemos crentes fervorosos de que Deus é a fonte de tudo, portanto responsável por tudo, enquanto nós, coitados de nós!, somos castigados por não termos tido fé o suficiente.

Uma das frentes é lidar, sim, com o outro, seja quem for, mas da forma mais apropriada possível. Agora vem o mais difícil, o mais inquietante, por isso o mais negado, jogado para baixo do tapete sempre que possível: lidar com o que há dentro de nós mesmos, o que brota, ou é podado sem que tenhamos consciência disso.

Uma interpretação possível “de que o mundo masculino tudo me daria” é a crença de que a força, o poder, por si só, seriam suficientes. “Que nada! minha porção mulher, que até então se resguardara, é a melhor porção que trago em mim agora!”, pois do feminino vem o sentir, o acolher, receber, gestar, transcender o óbvio. É do feminino que vem a capacidade de interpretar o mundo, através do coração.

Quando alguém, confuso em suas funções e pulsões, mistura aspectos do seu EU, age com a força quando a situação pede sutileza; com emotividade quando o necessário é o discerni-mento etc.; está em conflito com suas potencialidades, por isso acaba por desenvolver relações complicadas com os outros, pois seu mundo interno “mal resolvido” contamina os vínculos afeti-vos, dando sequência às confusões.

Se quiser resolver seus problemas com os outros, comece por resolver os seus consigo mesmo.

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