Francamente: Valeria a pena fotografar almas?

Julho 17, 2010 Nenhum comentário

A internet é uma fonte inesgotável de informações. Muitas delas, bastante úteis. Outras tantas, cultura besta. E uma boa parcela, de veracidade bem improvável. Às vezes, é até difícil classificar o que se recebe em um grupo ou outro, tantas são as possibilidades que a tecnologia oferece, para o bem e para o mal.

Recebe-se via e-mail artigos bastante interessantes, quase sempre assinados por nomes famosos, mas nunca sabemos se foram eles mesmos que escreveram. Vídeos mostram acontecimentos incríveis, mas pinta aquela dúvida se não houve alguma montagem. E as fotos? Essas são um extenso capítulo à parte. São tantas as possibilidades de manipulação, com resultados tão surpreendentes, que só especialistas em imagem é que podem separar o joio do trigo.

Pois dia desses recebi uma mensagem em que a protagonista era a foto da alma de uma mulher, que acabara de morrer na mesa de cirurgia. O texto que acompanha a imagem informa que a tal foto foi analisada sob os rigores científicos e que nenhum indício de montagem fora detectado. Seria tudo real. O flagrante ocorrera por acaso, quando um dos médicos fotografava a operação, o que seria normal, para posterior avaliação dos procedimentos e utilização em salas de aula nos cursos de medicina.

E lá estava, na foto, o espírito da pobre mulher, levantando-se, braços abertos, rumo ao céu. Em vez de apenas duvidar da imagem, porém, fiquei pensando nas possibilidades de, se realmente factível fosse, fotografarmos a alma de cada um. E, viajando um bocadinho mais, chegarmos ao ponto de interpretá-las, como fazem as ciganas com as linhas de nossas mãos.

Não falo daquelas fotos já manjadas, que dizem captadas por máquinas especiais, capazes de distinguir cores e formas da energia que escapa do nosso corpo. E, através delas, dar-nos o veredito de como estamos ou do que sentimos. Mas sim de uma imagem da alma em si, que mostre nossas alegrias e tristezas, dores e confortos, agonias e alívios, seguranças e medos.

Seria possível, através de uma foto, divisar manchas escuras na alma, que representariam as agruras do nosso dia a dia? Ou pontos luminosos que especialistas traduziriam como cicatrizes deixadas pelos bons momentos? Quem sabe vislumbrássemos reflexos que trariam à tona instantâneos do que se passa, naquele momento, conosco.

Não, melhor não. Se fosse assim tão fácil, perderíamos as mais belas produções do ser humano, que tentam justamente explicar o que acontece em nossas almas, nosso estado de espírito. São poesias, músicas, quadros, esculturas, cada um a seu modo, na busca pelo resgate de nossos sentimentos. Nada de fotografar almas. Nada de atalhos. Nada de tecnologia. Prossigamos no improvável, porém maravilhoso, caminho de tentar entendê-las do nosso jeito.

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