Francamente: O zangado sai, ainda bem!
Julho 9, 2010 Nenhum comentário
Uma semana depois da eliminação da Seleção Brasileira da Copa da África, tudo já foi dito e escrito sobre a infeliz jornada de Dunga e seus comandados. Não faltaram críticas para todos os gostos e vindas de todos os lados. Rancoroso, revanchista, mal-educado, emburrado, o técnico não fez realmente muito esforço para conquistar a simpatia do público. E escolheu a imprensa como seu alvo preferencial.
Sobre tudo isso, a melhor análise foi a de J.R. Guzzo, colunista da “Veja”. “Futebol é paixão, e a imprensa reflete a paixão da torcida – se ela aplica vaias selvagens aos seus próprios times, por que seria diferente com a seleção e seu técnico? Torcidas não são imparciais, e não esperam imparcialidade da cobertura esportiva. Não é justo, mas é o preço que Dunga e seus jogadores têm de pagar pela remuneração que recebem. Se vencerem, levam as batatas; se perderem, não levam. É a vida. Ao que parece, eles querem levar as batatas mesmo em caso de perda, por achar que têm raçae são guerreiros. Aí já fica difícil”, escreveu ele, antes, evidentemente, da desclassificação brasileira.
Pois bem, Dunga e seus jogadores não levaram as batatas. Por consequência, nem nós, torcedores. Mas, confesso, não consegui ficar triste. Lamentei, claro. Porém, sempre temi que a ditadura imposta pelo treinador vingasse. Receei que o modo de guiar seus atletas, grande parte deles já veteranos, como cordeirinhos mimados, que deveriam ser blindados de críticas, tornasse-se exemplo.
Claro que não se quer mais na nossa seleção o esquema de 2006, quando a preparação para a Copa da Alemanha, em terras suíças, foi uma bagunça. Mas não dá para aceitar jogadores renomados se esquivando de perguntas, recusando-se a dar as mais inocentes entrevistas, seguindo rigorosamente uma cartilha nazista de relacionamento com a mídia. O time que nos representa precisa de homens, com H maiúsculo, que saibam fazer parte de um grupo, mas sem deixar de lado suas opiniões.
Não se trata de ganhar ou perder, apenas. Nas peladas semanais com meus amigos ou no jogo de vôlei no clube, gosto de vencer, lógico. Mas fico muito mais feliz se a partida foi boa, se me diverti, e perdi, do que se ganhei e não me entendi direito com os companheiros, se as coisas não andaram bem.
Talvez isso explique por que a delegação brasileira foi recebida com descaso pela torcida na volta ao país, enquanto os argentinos fizeram uma grande festa na chegada da equipe de Maradona. E olha que eles saíram tomando uma goleada de quatro…
O “dios” portenho parece ter se divertido bastante na Copa. Dunga sofreu. Um ficaria nu se ganhasse a taça. Outro a xingaria, de novo. Um pode seguir no cargo. O outro, o zangado, já foi demitido. Ainda bem.
