Francamente: Nossos jovens precisam votar
Julho 31, 2010 Nenhum comentário
Neste ano, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 135,8 milhões de brasileiros estão aptos a votar nas eleições de outubro, quando escolheremos o presidente da Repúblicas, governadores, senadores e deputados federais e estaduais. Esse número de eleitores é 7,8% maior que aquele registrado em 2006, quando 125,9 milhões de compatriotas puderam apertar os botõezinhos das urnas eletrônicas. A título de curiosidade: a maior parte do eleitorado é formada por mulheres. Elas somam 70,4 milhões de votos, contra 65,3 milhões dos homens.
Se teremos uma eleição em que as mulheres terão ainda mais poder de decisão (em 2006, elas eram 64,9 milhões de eleitoras, contra 60,8 milhões de eleitores), o mesmo, infelizmente, não se pode dizer dos jovens. O “infelizmente” vale não porque o voto dos mais novos é mais importante que o dos mais velhos, obviamente. Mas sim porque as novas gerações estão desinteressadas da vida política.
Prova disso é que, ainda de acordo com o TSE, o número de eleitores com idade entre 16 e 17 anos diminuiu. Não que tenha diminuído apenas percentualmente, se comparado com as outras faixas etárias. A queda foi em números absolutos mesmo.
Ou seja, apesar de o eleitorado, de um modo geral, ter crescido quase 8%, há menos jovens dispostos a votar neste ano (quando eles somam 2,39 milhões de eleitores) do que em 2006 (quando eles eram 2,56 milhões). E já chegaram a ser 3,65 milhões em 2004. É bom lembrar que os eleitores com mais de 16 e menos de 18 anos possuem a prerrogativa do voto facultativo, assim como os maiores de 70 anos. Assim, decidem se querem ou não votar, estando imunes a qualquer punição se não comparecerem às urnas.
Eu não tive a oportunidade de votar antes dos 18 anos, porque então a lei não permitia. Mas, se essa chance me fosse dada na época, não a desperdiçaria de jeito nenhum. Era um período em que experimentávamos novamente, depois de tantos anos, o sabor da democracia. Estávamos todos, jovens inclusive, entusiasmados com a possibilidade de voltarmos a escolher, via voto direto, nossos governantes.
Lembro-me de que, mesmo quem não tinha idade para votar, metia-se em acalorados debates sobre as virtudes e defeitos desse ou daquele candidato. Pena que cenas como essa parecem estar a cada dia mais distantes do cotidiano nos nossos adolescentes. É compreensível, faz-se necessário admitir. Depois de tantos mensalões, propinas enfiadas em tudo quanto é lugar e infinitos conchavos dos podres poderes, fica difícil mesmo ter vontade de votar.
Mas a juventude não pode perder a ânsia da mudança. É preciso que os bons ocupem os espaços, porque os maus já os loteiam há tempo demais.
