Em seu quinto disco de estúdio, Fresno quer dar resposta aos críticos
Julho 31, 2010 Nenhum comentário
Houve um tempo em que os gaúchos da Fresno não estavam de bem com a vida. Achavam injustas as críticas ao som da banda, especialmente as que resvalavam nas letras monotemáticas de Lucas Silveira, compositor, vocalista e guitarrista. “A partir de uma ou duas músicas, decidiram que éramos uma banda de um estilo”, reclama o guitarrista Gustavo Mantovani nesta entrevista ao PLUG, sobre aquele período. “Revanche”, portanto, parece um nome apropriado para o quinto disco de estúdio da Fresno, recém-lançado.
Mas Gustavo garante que agora os tempos são outros. Diz que ele, Lucas, mais o baixista Rodrigo Tavares e o baterista Bell Ruschel, estão em paz. Apostaram num álbum um tanto mais pesado que os anteriores, apesar de as letras, em sua maioria, seguirem falando de relacionamentos mal-sucedidos.
As 13 faixas mostram uma banda amadureci-da, preparada para seguir sob os holofotes, e tentando reunir entre seu público fãs mais maduros e os adolescentes de sempre.
Em que momento da carreira da Fresno chega este quinto disco?
São quase 11 anos de carreira e é uma vontade que não acaba. Estamos superansiosos pra começar a fazer a turnê nova do disco, saber o que a galera vai achar do show. Ficamos o dia inteiro no Twitter lendo as opiniões. O “Re-vanche” é um disco que vem cheio de expectativas, porque, quando lançamos o anterior, “Redenção”, estávamos entrando nesse cenário mainstream, éramos vistos com olhares de banda que está aparecendo. Agora, são olhares de banda consolidada. A responsabilidade é muito maior. A gente vem escrevendo este álbum nos últimos dois anos, então tem músicas de fases diferentes da nossa vida. A própria faixa-título “Revanche” fala de um período mais pesado, de querer dar a volta por cima, de querer mostrar que você é diferente do que as pessoas acham.
Esse título remete a uma fase em que vocês estavam se achando injustiçados?
Também é. Quando começamos a divulgar “Redenção”, algumas pessoas, a partir de uma ou duas músicas, decidiram que éramos uma banda de um estilo, sem ouvir o disco inteiro pra ver o que realmente somos. Ficamos com vontade de dar essa resposta, de que somos uma banda de rock, uma banda pesada, que tem riffs, que gosta de falar as coisas. Quando fizemos as músicas do “Revan-che”, estávamos num momento mais complicado, e muitas letras refletem até essa raiva. O feed-back deste disco tem sido ótimo, comentam que amadurecemos. Nós já sentíamos isso, mas as pessoas não conseguiam perceber.
Vocês imprimiram um pouco mais de peso no disco novo. Isso foi proposital ou aconteceu por acaso?
Se alguma banda tenta for-matar o som com algum objetivo, deixa de ser natural. Com o passar do tempo, vamos escutando bandas novas, tendo outras influências, vamos ficando adultos. Hoje temos filhos, estamos beirando os 30 (Risos). Não foi nada planejado, as coisas vão acontecendo com o passar do tempo. Que bom que foi pra esse lado, que é um som que a galera tem compreendido e elogiado bastante. É consequência da nossa evolução não só em termos de composição, mas também de execução. Nós nos tornamos músicos melhores e temos mais capacidade de composição, assim as músicas melhoram.
Que bandas têm influenciado a Fresno ultimamente?
Tem algumas bandas que começamos a escutar mais ultimamente, como Queen e Beatles. Das mais atuais, o Keane, pra quem a gente abriu dois shows no ano passado, principalmente a parte de teclados, que a gente vem usando mais. Tem também o Muse, que está aparecendo mais no Brasil, e Anberlin, uma banda americana mais segmentada por lá e com quem tocamos em três shows.
As letras do Lucas mantêm os temas dos relacionamentos. Vocês pensam em falar sobre outros assuntos?
Isso é da natureza de cada compositor. Assim como o Paul McCartney fez música de amor, em sua grande maioria, o Marcelo D2 faz letras falando de outra coisa, o Chico Buarque, de outra. O Lucas tem o estilo dele e, apesar de associarem a Fresno a letras de amor, de sofrimento, ele não fala diretamente disso, não fala “eu te amo”. Ele gosta de contar situações dele, de pessoas próximas. Mas temos muitas músicas que falam de vários assuntos.
Vocês saíram de Porto Alegre para conseguir maior exposição. Neste novo disco, há uma música que leva o nome da cidade. É um tanto de vontade de voltar às origens?
No “Redenção”, que lançamos logo ao chegar em São Paulo, a gente falava mais disso, porque a gente estava acostumado a vida inteira em Porto Alegre e de repente estava em outra cidade. Depois de quatro anos morando aqui, a gente se acostuma, mas a música “Porto Alegre” é um resquício dessa pontinha de saudade.
O Eric Silver, um americano normalmente mais ligado à música country, participa em duas faixas. Como surgiu a ideia de ele aparecer num disco de rock?
O Rick Bonadio (diretor artístico) é amigo dele. Então propôs que ele fizesse um arranjo de cordas e topamos na hora. Mandamos duas músicas pra ele, que reuniu 28 músicos pra gravar os arranjos. Achamos que ficou superlegal e todo mundo elogiou bastante. Ele conseguiu captar a essência da banda e gravar uma coisa legal para colocar em cima.
Vocês começaram tocando pra adolescentes. Quem é o público da Fresno hoje?
O público amadurece junto com a banda. Tem a galera que ficou mais velha e a mais nova, que está começando a escutar música agora. A gente quer que eles cresçam escutando Fresno também. É uma questão de ampliar o público.
Como será a turnê do disco novo?
A gente já vem tocando duas músicas novas há um tempo nos shows. Aos poucos, vamos colocando as outras. Vamos dando um tempo pra galera gravar as músicas e cantar nos shows. Lá pra setembro, faremos um grande show de lançamento, com tudo novo, músicas, cenário, visual, camisetas. Vamos começar nas capitais e depois partir pra todo o país.
