Banda Caps Lock, de Piracicaba, viaja Brasil afora mostrando seu rock alto astral

Julho 26, 2010 Nenhum comentário

Vem de Piracicaba, cidade mais conhecida no cenário musical como terra de música caipira, uma das novas promessas do rock brasileiro.

Trata-se de uma banda criada há sete anos, quando ainda se chamava Supernova, e que mais tarde seria rebatizada como Caps Lock. Presença constante em festivais estudantis, era um quinteto nascido da paixão pela música dos irmãos Max (vocal) e Sté (guitarra) e mais o baterista Carlinhos, então com apenas 13 anos. Sempre defendendo suas próprias músicas, o grupo tomaria o formato atual em 2005, quando Thiago assumiu o baixo.

Desde então, foram lançados dois discos, sendo o segundo – “Fazer Diferente” – neste mês. Hoje morando “na van”, como brinca Max, a Caps Lock tem se apresentado em todo o país e vem ganhando exposição nas rádios e na TV. O vocalista e seus colegas não aceitam, mas também não refutam, o rótulo de banda de happy rock, que vem acompanhando a geração que se apresenta em roupas coloridas e abusa das letras alto astral. “Pode chamar do que quiser”, desafia Max, sobre o som que fazem nesta entrevista ao PLUG. “O importante é que a pessoa ouça e goste”.

A banda nasceu há sete anos, mas só mais recentemente vocês têm conseguido uma projeção maior. Como aconteceu essa história?

Quando começamos a tocar, a banda se chamava Supernova, mas os integrantes são basicamente os mesmos. Fazíamos muito festival estudantil e passamos a escrever músicas. Percebemos que o pessoal gostava de cantar nossas músicas, começaram a decorar, então vimos um potencial nisso. Em 2005, entrou o Thiago no baixo e saíram outros dois integrantes e desde então virou Caps Lock. Na estrada mesmo estamos há um ano, quando começamos a tocar em São Paulo e outras capitais.

Vocês sempre tocaram músicas próprias?

Sim, desde o começo. Só tocávamos alguns covers em shows, porque éramos uma banda desconhecida. Mas com o tempo conseguimos reverter isso. Hoje só colocamos um ou outro cover, mas com uma cara nossa.

Vocês ainda moram em Piracicaba?

Na verdade, moramos na van (Risos). Moramos em Piracicaba, mas viajamos muito a semana toda.

Tem um zilhão de novas bandas tentando passar do underground para a grande mídia. Como vocês conseguiram?

O pulo foi quando mandamos um CD demo, com algumas músicas nossas, pra alguns produtores. O primeiro deles foi o Rick Bonadio, que se interessou pelo trabalho e propôs fazer uma produção, com ele dirigindo o disco e o Rodrigo Castanho produzindo. Foi quando passamos de amadores a profissionais. Aprendemos o que era gravar um disco de verdade, produzir as músicas. Aí, em 2007, lançamos nosso primeiro disco, “Um Pouco Mais”.

A vida de vocês mudou muito depois disso?

Mudou. Em termos de composição, antes eu esperava vir uma inspiração pra escrever a música. Hoje, se pedirem pra fazer duas músicas, vou trabalhar nisso o dia inteiro. O Rodrigo e o Rick ensinaram pra gente que música é, acima de tudo, trabalho. Nossa rotina também mudou muito, vivemos fora de casa, na estrada, aprendemos a conviver os quatro com a equipe.

E a exposição maior na mídia, já afetou alguma coisa no dia a dia de vocês?

Sim. Em Piracicaba, a gente vê muito isso. A gente ia ao shopping, por exemplo, e passava despercebido. Agora, aparecendo na TV, tocando música na rádio, acontece de as meninas ficarem seguindo. Algumas perguntam se somos de São Paulo, nem acreditam que somos de Piracicaba. Isso é engraçado.

No disco novo, vocês optaram por gravar duas músicas nas versões plugada e acústica. Qual o motivo?

Essas músicas estavam no CD demo. Como ainda eram muito ouvidas pelos fãs, decidimos refazê-las, mexer em letras, nos arranjos, pra relançar de uma forma mais profissional. O resultado foi ótimo.

O clipe de “Pode o Sol Sair” é interativo, já que é possível escolher um entre três finais. Como surgiu essa ideia?

Foi por acaso. O Maurício Eça, diretor do clipe, escreveu o roteiro, com a história de um casalzinho. Ele disse que tinha três finais na cabeça, mas não sabia qual escolher. Por falta de tempo, decidiu gravar os três pra escolher depois. Quando vimos, consideramos os três finais ótimos, e achamos que daria pra aproveitar melhor do que simplesmente descartar dois. Então tivemos a ideia de colocar no YouTube uma forma de o fã escolher o final que ele preferir.

Vocês se incomodam com o rótulo de banda de happy rock?

No começo, a gente se incomodava mais com essas coisas. Na época, estava na moda do emo, e diziam que éramos emo. A gente dizia que nunca tinha participado desse movimento, mas percebemos que não adianta querer ir contra o que as pessoas acham. Quem ouve tem o direito de decidir o que acha do som. O importante é que a pessoa ouça e goste, e pode chamar do que quiser.

E que influências rolam na hora de compor?

Pra este CD novo, a gente procurou ouvir muito bandas mais novas, como Paramore e Fall Out Boy. Essas influências acabam refletindo no nosso som e isso pode explicar por que algumas pessoas classificam a gente de um jeito ou de outro. Mas o mais legal é que temos uma identificação nossa. Se você ouve Caps Lock, sabe que somos nós que estamos tocando.

Como está a agenda de shows da banda?

Está bem corrida, bem legal. Nos próximos meses, vamos tocar bastante no Sul. Mas sempre tocando aqui no interior e em São Paulo. Até o final do ano, pretendemos tocar nas capitais aonde a gente ainda não foi, como Belo Horizonte.

Nos shows já estão rolando as músicas do CD novo?

O show já é do CD novo, um show bem pra cima. Tem uma parte bem legal, em que a gente faz um pot-pourri de black music. A gente mistura Lady Gaga com Justin Bieber, Keshia com Black Eyed Peas, e faz um som com a cara do Caps Lock, com os arranjos que teríamos feito se essas músicas fossem nossas.

Por Marcos Paulino

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