Mente Sadia: Hábito de fumar
Junho 5, 2010 Nenhum comentárioHábito e vício, para mim, são coisas distintas. Hábito tem a ver mais com costume, aprendizagem, porém não se manifesta como uma forma de dependência, apego, necessidade.
Vício sim é o apego, a necessidade, a dependência, que faz do sujeito escravo do prazer de fumar ou do desprazer das consequências de não o fazer.
Poderíamos entrar na discussão da origem do hábito ou do vício, ou mesmo do porquê povos antigos, em rituais específicos, utilizavam o compartilhamento do fumar como forma de… Poderíamos até fazer um estudo do momento em que a indústria, possivelmente sabedora dos seus efeitos maléficos, mas interessada em larga escala de lucro, absorve este produto ritualístico e o transforma em um grande incentivador do hábito e do vício.
Se você se lembra, juntamente com os grandes fabricantes, outros seguimentos com interesses próprios também se engajaram na propaganda, na lucratividade dos impostos, nos patrocínios, na divulgação de outros produtos e marcas, tornando o cigarro sinônimo de sucesso profissional, facilitador das habilidades sociais (dissimulador da vergonha, medo…), calmante, ansiolítico, por que não dizer antidepressivo, principalmente dos pobres, que pouco acesso tinham ao tratamento médico e psicoterápico!
Juntamente com o excesso de propagandas ENGANOSAS, a necessidade de fazer parte de um grupo, a hereditariedade para a dependência, os conflitos intrapsíquicos, a necessidade de aceitação social, auto-afirmação, modo de satisfação em si mesmo, e tantos outros motivos, tornaram o habito/vício de fumar fundamental para quem aderiu à causa, e “forçosamente” tolerável para os demais.
De sinônimo de glamour, poder, inteligência, sofisticação, masculinidade etc., hoje o que temos é um apelo do Ministério da Saúde para erradicar a propaganda, o estímulo ao tabagismo, em consequência do alto custo para o poder público, e privado, pelos males causados ou desencadeados pelo hábito ou vício de fumar.
Leis proibitivas ao uso de cigarros em determinados ambientes, apoiadas por propagandas desestimuladoras, têm coibido os fumantes e aumentado a intolerância dos não fumantes, ditando novas regras de comportamentos sociais.
A ideia deste texto é demonstrar o quanto somos manipuláveis por ideias, opiniões e conceitos, os quais podem estar a serviço do interesse de pessoas e grupos que se beneficiam da falta de senso crítico e da ignorância do povo. Às vezes, nos sentimos “jogados” de um lado para o outro, pelo excesso de informações do que devemos ou não fazer, bem como os males e benefícios proporcionados pelos alimentos que ora figuram como protetores, ora como causadores de problemas. Nesses casos, sempre, sempre deve prevalecer o bom senso.
