Iron teens: Jovens triatletas encaram muitos quilômetros de natação, ciclismo e corrida

Junho 19, 2010 1 comentário

Por Marcos Paulino

Já passou pela sua cabeça nadar 1.900 metros, em seguida pedalar por 90 quilômetros e, como se não fosse suficiente, ainda encarar uma corrida de 21 quilômetros? Parece insano, não é? Não para os limeirenses Thomaz Tropiano Neto e Luigi de Oliveira Prada, ambos de apenas 17 anos, que resolveram se tornar praticantes de triatlo.

Já faz três anos que os dois se dedicam à essa modalidade, que leva a resistência física ao extremo. Para Luigi, foi uma escolha até natural, já que seu pai também é triatleta. Já Thomaz buscou inspiração em um amigo de seu pai, que participa de provas de duatlon.

Luigi contabiliza entre seus maiores feitos o segundo lugar numa prova de Long Distance – que tem as distâncias descritas acima – em Pirassununga, da qual participaram 550 atletas, além de outra segunda colocação, na etapa de Santos do 2º Troféu Brasil de Short Distance (prova que tem 750 metros de natação, 20 quilômetros de ciclismo e cinco quilômetros de corrida). Tho-maz se orgulha de um quinto lugar na classificação geral de uma prova de Short Distance no Rodoanel, que reuniu profissionais já bem rodados.

Para alcançar resultados como esses, é preciso ralar muito. Eles treinam seis dias por semana – o descanso é na segunda-feira –, às vezes mais de uma vez por dia. No fim de semana, encaram os treinos mais fortes. Por semana, em média, nadam 10 quilômetros, pedalam outros 180 e correm mais 25. Isso exige cerca de duas horas e meia de malhação diária. E muitas privações, como ter que deixar de lado, frequentemente, festas e baladas, tudo por resultados cada vez melhores.

COISA DE LOUCO

“Esse esforço vale a pena”, garante Thomaz, que às vezes tem que escutar seus amigos falarem que está “louco” de treinar tanto. “O triatlo é um esporte diferente, as pessoas precisam entender que alguns sacrifícios são necessários”, emenda Luigi.

Os cuidados também passam pela alimentação, apesar de os dois confessarem que dão umas escapadas de vez em quando. “A gente come muito, porque gasta muitas calorias, mas precisa ter uma alimentação balanceada”, explica Luigi. Em períodos de provas, a atenção com a comida é redobrada. Antes das competições, eles mandam ver nos carboidratos. Depois, capricham nas proteínas. E, durante, ingerem alimentos em forma de gel.

Além de um físico muito bem preparado, o triatlo, contam os jovens, exige também uma cabeça boa. “É preciso estar bem mentalmente para não desistir”, diz Thomaz. Como exemplo, ele lembra de uma prova de Long Distance, em Pirassununga, no ano passado, na qual não chegou 100% por causa de uma lesão. E ainda teve que lidar com um problema na bicicleta, que só girava nas marchas mais leves. “Quase desisti, mas consegui ir até o final”, orgulha-se.

Luigi também tem suas histórias de superação. Uma delas aconteceu neste ano, em Caiobá, quando forçou muito na bicicleta e quase “quebrou” na corrida. Viu outros atletas desistindo e por pouco também não parou. “Às vezes, o corpo quer parar, mas a cabeça quer continuar”, afirma. Nesse caso, a mente venceu.

FALTA DE INCENTIVO

O impacto das corridas, o esforço do ciclismo e as pancadas dos outros competidores na natação são obstáculos difíceis de serem superados no triatlo, mas talvez não tanto quanto outro: a falta de incentivo. Thomaz e Luigi contam com o apoio de empresas que destinam parte do que recolhem de ISS para o esporte. Mas os pais acabam tendo que por a mão no bolso para ajudar a bancar os altos custos da modalidade. São inscrições caras, transporte, hotéis… E tem também a manutenção do equipamento. Uma bike apropriada para o triatlo, por exemplo, custa cerca de R$ 6 mil.

Em média, os dois triatletas encaram duas competições a cada três meses. “Falta um maior reconhecimento do triatlo no Brasil”, constata Thomaz, que sonha em fazer um período de treinamento no exterior. Ele também está se empenhando para cumprir uma série de bons resultados em provas paname-ricanas, o que pode render uma bolsa para ajudar a cobrir as despesas.

Para poder se dedicar mais intensamente ao triatlo, ele nem deu prosseguimento aos estudos após terminar o ensino médio. “Nem sei que faculdade gostaria de fazer”, admite. Já Luigi, que está no último ano do ensino médio, quer prestar engenharia mecânica. Isso mesmo, nenhum dos dois sonha com uma previsível faculdade de educação física. Acham que não é uma carreira rentável.

Planos à parte, os dois seguem treinando de olho no presente mesmo. A natação, que consideram a parte mais complexa do triatlo, eles praticam com orientação de professores. Thomaz treina com a equipe do Nosso Clube e Luigi, em uma academia. A corrida e o ciclismo têm planilhas a ser cumpridas, elaboradas pela técnica Rosana Merino, que eles podem seguir por conta própria. Por enquanto, nem passa pela cabeça deles a possibilidade de mudar a rotina atual. Afinal, garantem, o triatlo é uma espécie de “vício”.

“A gente termina a prova arrebentado, mas já sai querendo mais”, brinca Thomaz. Ele conta que, numa prova de Iron Man (3,8 quilômetros de natação, 180 de ciclismo e 42 de corrida) de que participou, mal a competição tinha terminado, e os atletas já correram para a internet para assegurar uma vaga para a edição do ano seguinte.
“Quem começa a fazer triatlo não para”, garante Luigi. E busca, sempre, baixar seus tempos. “Completar as provas é fácil”, exagera. “O difícil é ganhar”.

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1 comentário para “Iron teens: Jovens triatletas encaram muitos quilômetros de natação, ciclismo e corrida”
  1. talita diz:

    muito bom ja treinei para participar uma vez mas desisti queria muito voltar a fazer mas nao tenho dinheiro pra equipamentos e nao tenho tempo mas acho um esporte muito bom..

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