Strike lança novo disco tentando repetir sucesso do premiado trabalho de estreia

Maio 14, 2010 Nenhum comentário

Strike lança novo disco tentando repetir sucesso do premiado trabalho de estreia

Com seu álbum de estreia, “Desvio de Conduta”, em 2007, a banda mineira de hardcore Strike ganhou vários prêmios na categoria “revelação”, aí incluindo os da MTV e do Multishow. Também emplacou uma música na abertura da novelinha adolescente global “Malhação”, fez uma megaturnê que passeou pelo país todo e ganhou um disco de ouro pelas 100 mil unidades vendidas. Fenômeno nascido e criado na internet, o quinteto agora tenta se firmar na cena do rock brasileiro com o segundo álbum, “Hiperativo”, lançado primeiro na rede, onde já virou fenômeno de plays no MySpace.

Nesse trabalho, o Strike experimentou várias mudanças. A banda mudou de cidade, de gravadora e de produtor, função agora ocupada pelo requisitado Rick Bonadio. Outra novidade é a presença de um “sexto elemento” nos shows, o DJ Negro Rico, especialista em scratches. Ele se junta ao vocalista Marcelo, aos guitarristas Rodrigo e André, ao baixista Fábio e ao batera Cadu, na missão de manter o público já conquistado e, se possível, ampliá-lo para além das fronteiras pré-adolescentes. Sobre esta fase da banda, Marcelo deu a seguinte entrevista exclusiva ao PLUG.

Que diferenças você vê entre este segundo disco e o de estreia?
Sinto que a banda teve um amadurecimento muito grande do primeiro CD pro segundo. Na nossa turnê, fizemos mais de 150 shows, e foi bem sucedida. Então rolou uma cobrança neste segundo CD, porque o primeiro teve uma resposta muito boa. Conquistamos várias coisas legais, prêmio de revelação e tudo mais. Este CD trouxe uma cara mais madura pro Strike e ao mesmo tempo conseguimos firmar nossas influências, a nossa liberdade. Conseguimos flertar com outros estilos, o que ficou bem legal, funcionou bastante. Mas acho que a principal diferença é a maneira como ele foi concebido, com uma preparação maior. Por isso, a gente sente esse feedback tão positivo. A gente disponibilizou o CD na rede e ele bombou.

Uma banda que fez sucesso com o primeiro disco sofre com a pressão de repetir a performance com o segundo. Vocês sentiram isso?
Sentimos. Mas na verdade tivemos pouco tempo pra ficar pensando muito nisso, porque trocamos de empresário, fomos trabalhar com o Rick Bonadio. Trocamos de escritório, de cidade, mudamos do Rio para São Paulo. E tivemos que fazer o CD, continuar fazendo os shows de 2009, foi uma correria. Rolou uma certa pressão, mas à medida em que as músicas foram pintando, que fomos montando o repertório, fomos curtindo o processo de fazer o CD e aquela pressão se transformou em confiança. As pessoas têm elogiado muito esse trabalho e foi consenso geral que conseguimos fazer um CD melhor que o primeiro. Foi um alívio de dever cumprido.

Essa mudança para São Paulo influenciou nas composições?
Influenciou. A gente lançou o primeiro CD no Rio, onde a gente estava morando. Então tivemos a influência da praia, daquele clima meio despojado, alegre. O segundo traz uma atmosfera mais urbana, com músicas que trazem uma carga emocional diferente. Porém, também conseguimos fazer coisas que remetem ao primeiro CD, tem a cara do Sublime, das coisas que a gente escuta meio Califórnia.

No novo CD, a letra de “A Tendência” critica aquele lance de sempre querer estar na moda, de bandas fabricadas. Por que você resolveu tocar nesse assunto?
Não é bem uma crítica, resolvemos usar uma fórmula que ainda não tínhamos feito, de fazer música de uma forma mais divertida, mais hilária, uma tiração de sarro. E acabamos usando a última tendência que tinha rolado, que no caso era o lance dos emos, dos coloridos, essas modas que surgiram. A galera entendeu bem o espírito, uma forma de dar uma chacoalhada na juventude, que nunca sabe o que quer e está sempre esperando vir alguma coisa diferente de fora. A galera tem que parar de seguir essas fórmulas e ir atrás daquilo que realmente acredita. É estranho falar, mas essa música virou uma moda (Risos). Teve milhares de execuções no MySpace, no show está catastrófica. Foi uma surpresa, não esperávamos tanta repercussão.

Vocês sempre tiveram muita ligação com a internet, inclusive disponibilizaram o disco novo na rede. A internet continua sendo um grande meio de impulsionar a banda?
Muito. Continuamos tendo contato assíduo com os fãs. Nossa música entra na rádio depois de já ter estourado na rede. É muito bacana, porque você consegue ter o feedback do seu público antes de ir para os veículos maiores. Continuamos fazendo várias ações pela internet, porque por mais que ela atrapalhe nas vendagens, continua sendo um instrumento vital de divulgação para qualquer artista, independentemente do estágio da carreira em que ele esteja. As gravadoras vão ter que saber tirar o melhor proveito da rede.

Vocês já tiveram música na trilha de “Malhação”. Por mais que a internet impulsione, a TV também ajuda bastante na divulgação, certo?
Com certeza. A TV e o rádio continuam tendo um papel essencial na carreira de qualquer artista. Mas a gente vem de uma geração do “faça você mesmo”. A gente não fica só esperando as coisas acontecerem, sempre fizemos a nossa própria divulgação.

Com a diversificação das mídias onde vocês aparecem, o público do Strike também mudou? Ou ainda continuam sendo só os adolescentes?
A gente sente que sim. Mas é uma coisa que tem que vir naturalmente. Não se pode focar a carreira só na internet, ou só na rádio, ou só na TV. A banda tem que fazer o show e botar na rua. Se a música estiver grande para a internet, com certeza vai cair na televisão, vai tocar no rádio. E acho que a internet não é um meio de comunicação totalmente ligado aos jovens. Hoje ela não tem mais faixa etária, a criança usa, o idoso usa, todo mundo está conectado.

Já está rolando a turnê do CD novo?
Sim. Estamos fazendo 14 shows neste mês. Isso já é reflexo do feedback desse CD virtual. Nossa agenda está lotada, os shows estão bombando. Estamos tocando as músicas novas e algumas coisas antigas. Está um momento muito legal, muito importante, a gente sente que 2010 é um ano em que faremos um barulho muito bom. Muita coisa legal vai acontecer neste ano.

Quando vai rolar um show em Limeira?
Estamos precisando mesmo tocar aí. A gente adora tocar no interior de São Paulo, é uma região onde a gente se sente super à vontade.

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