Mães adolescentes: A dura missão de conciliar estudo e maternidade
Maio 7, 2010 Nenhum comentário![]()
Fernanda e a pequena Raíssa
Duas jovens mães, duas estudantes. Duas histórias. Na semana em que se comemora o Dia das Mães, Nanci e Fernanda, que têm em comum o fato de terem engravidado sem planejamento, vivem momentos distintos. Uma segue cumprindo o sonho de se formar na faculdade que escolheu. Outra precisou adiar seus objetivos. Ambas, porém, descobriram que aos filhos se reserva amor incondicional, muitas vezes relegando seus próprios anseios ao segundo plano, para poder se dedicar de cor-po e alma às crianças.
A piracicabana Nanci Correr Stenico, de 20 anos, mãe de João Vítor, de 8 meses, prepara-se para viver seu primeiro Dia das Mães, amanhã, no papel de protagonista. “Vai ser diferente, estou vivendo uma sensação muito gostosa”, diz a estudante do 3º semestre do curso de Química do Instituto Superior de Ciências Aplicas (Isca), de Limeira. Desde que descobriu que estava grávida, Nanci vislumbrou mudanças em sua vida. Ela prestara o vestibular num dezembro e ficou sabendo da gravidez no mês seguinte. Mãe solteira, encontrou nos pais o apoio que precisava para continuar estudando.
Entretanto, precisou deixar a função que ocupava no setor de controle de qualidade de uma indústria de tintas. “Preciso continuar estudando para o bem do meu filho”, diz Nanci, acreditando que o diploma de um curso superior vai lhe abrir muito mais portas no setor químico, onde ela quer voltar a trabalhar. Como suas aulas são noturnas, pode se dedicar a João Vítor durante o dia. À noite, o menino fica com os pais, enquanto ela vai para a faculdade. “Essa dupla jornada é cansativa, ele já está engatinhando, às vezes fica com febre, dá trabalho”, analisa. “Mas o meu filho é a coisa mais fofa do mundo e o esforço vale a pena”.
A campineira Fernanda da Silveira, de 21 anos, vai ser homenageada no Dia das Mães pela segunda vez neste ano. Sua filha, Raíssa, está perto de completar dois anos. Ela ainda mantém o relacionamento com o pai da criança, mas continua morando com os seus pais. “Queremos casar e comprar uma casa para morar juntos”, conta, sobre o namorado. Ao contrário de Nanci, Fernanda teve que interromper os estudos. Ela vinha frequentando o curso pré-vestibular Oficina do Estudante, de Campinas, mas não conseguiu conciliar as aulas com o trabalho como esteticista animal e os cuidados com Raíssa.
No mês passado, Fernanda se viu obrigada a adiar seu sonho de prestar o vestibular para o curso de Biologia. “Quero estudar na Uni-camp”, revela. O emprego consome todo o seu dia. “Precisava sair correndo para ir ao cursinho à noite, nem via minha filha direito”. A menina ficava com a sua mãe, mas problemas com a saúde do pai a forçaram a colocar a criança numa escolinha. “Aí ficou pesado para pagar a escola dela e a minha. O jeito foi parar com o cursinho”, afirma Fernanda.
A campineira conta que, de qualquer modo, estava com dificuldade para cumprir a tripla jornada de trabalhadora, estudante e mãe. “Não tinha tempo para estudar durante a semana e, no domingo, aproveitava para ficar com a minha filha”. Fernanda, contudo, apressa-se em anunciar que sua meta de entrar na faculdade só foi adiada, não cancelada.
“No ano que vem pretendo dar um jeito de conciliar trabalho, estudos e os cuidados com minha filha”.
Nanci e Fernanda hoje trilham caminhos diferentes. Ambas, todavia, esperam chegar ao mesmo destino: conseguir o diploma no curso superior que sonharam, com a consciência tranquila de terem sido merecedoras de todas as homenagens no Dia das Mães.
Neste e nos próximos. Nem que, para isso, alguns recuos estratégicos sejam necessários. É só questão de tempo.
