Infartos crescem entre jovens devido ao consumo de drogas
Maio 28, 2010 Nenhum comentário![]()
O aumento do consumo de drogas é um dos grandes responsáveis pelo crescimento no número de infarto entre jovens no mundo. Nos Estados Unidos, cerca de 25% das vítimas de ataque cardíaco com idade até 50 anos são usuárias de cocaína e a estimativa é que esse índice seja semelhante no Brasil.
Esses números já preocupam os especialistas da Sociedade de Car-diologia do Estado de São Paulo (Socesp), que debateram as peculiaridades do infarto em jovens em congresso realizado em São Paulo, no final de abril.
O aumento no consumo de drogas como cocaína e anfetamina, associado ao grande número de fumantes e obesos nessa faixa etária, provocou uma explosão nos óbitos por infarto agudo do miocárdio em pessoas com até 50 anos. “Precisamos estar muito bem preparados para atender esse público. Remédios para combater a hipertensão, por exemplo, utilizados por pacientes co-muns não podem ser ministrados para quem consome drogas”, explica o cardiologista e debatedor do tema no congresso, Rui Ramos.
Ele acrescenta que o betabloqueador – utilizado no pós-infarto, ou no tratamento de angina, arrit-mias e certas formas de tremores – também é proibido para quem é usuário de drogas.
Segundo Ramos, nos Estados Unidos, está crescendo o consumo de anfetaminas, como o ecstasy. “Assim como a cocaína, esse tipo de droga ilícita aumenta de 40% a 50% o risco de a pessoa desenvolver problemas nas coronárias, principalmente a aterosclerose, que é o endurecimento ou obstrução da artéria. A consequência é, na maioria das vezes, o infarto”, completa.
O quadro é ainda mais grave quando o paciente possui familiares em primeiro grau com aterosclerose precoce. “Alguns estudos revelam que 92% dos jovens que sofrem infarto são tabagistas. Cerca de 40% deles possuem familiares em primeiro grau com aterosclerose precoce e 65% apresentaram distúrbios da glicose”, revela Ramos.
E o especialista lembra que o vício em geral, como o álcool e o tabaco, é um veneno adicional para o coração. O álcool potencializa três vezes o efeito maléfico da cocaína. Já o tabaco eleva o risco de infarto em 300%.
“O jovem acha que é imortal e, quando percebe o dano que causou à própria vida, muitas vezes é tarde demais. Temos que ser duros e realistas na conversa com eles e colocar que o tabaco e as drogas ilícitas causam inúmeros problemas, inclusive a disfunção erétil”, explica o car-diologista, que já fez inúmeras palestras em escolas públicas. “Eles ficam surpresos com essa informação, que tem grande impacto”.
Governo federal destina R$ 410 mi para combate ao crack
O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) terá mais R$ 100 milhões para ampliação de Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) e do atendimento a jovens em medidas socioeducativas. A medida faz parte do Plano Integrado de Enfrenta-mento ao Crack e outras Drogas, que destinará no total R$ 410 milhões para ações de assistência social, saúde e repressão ao tráfico, entre outras.
A ministra Márcia Lopes explicou que a expansão será discutida e pactuada com municípios e Estados. “Nós temos a responsabilidade de coordenar a Política Nacional de Assistência Social e, a exemplo do que a Saúde fez com o SUS (Sistema Único da Assistência Social), implantamos o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), que coordena esta organização da rede de serviços socioassistenciais, com centralidade na família, na perspectiva do território e da diversidade que te-mos no país”.
O decreto que institucionaliza o plano foi assinado no dia 20 de maio, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante o encerramento da 13ª Marcha dos Prefeitos e tem por objetivo coordenar as ações federais de prevenção, tratamento, rein-serção social do usuário do crack e combate ao tráfico.
O Plano Integrado de Enfrenta-mento ao Crack e outras Drogas terá ainda ações imediatas, como uma campanha nacional de mobilização, informação e orientação; capacita-ção para profissionais das redes de saúde, assistência social, educação, entre outras. O objetivo é fortalecer a rede local e garantir o acesso aos serviços disponíveis, tanto para os usuários quanto para seus familiares.
Droga, derivada da cocaína, causa rápida dependência e pode matar
O crack é uma substância derivada da cocaína, apresentada em forma de pedras, feita a partir da mistura da pasta base com diversos produtos químicos. É uma droga estimulante do Sistema Nervoso Central (SNC) que, quando fumada, atinge o cérebro rapidamente e por uma curta duração, provocando efeitos de intensa euforia, excitação, insônia, sensação de poder, além de causar desorientação, instabilidade emocional, mania de perseguição e fissura.
No corpo, o crack causa o aumento repentino da pressão arterial e aceleração dos batimen-tos cardíacos.
Seu uso frequente e prolongado pode ocasionar convulsões, coma, parada cardíaca e levar à morte pelo comprometimento dos centros cerebrais que controlam a respiração.
A droga causa dependência de forma muito rápida, deixando o usuário mais vulnerável a diversas situações de risco, como exposição a relações sexuais des-protegidas, envolvimento com atos infracionais e violência e comprometimento das relações familiares e sociais.
