Depois de estourar na internet, Fake Number fecha com gravadora e lança 2º disco

Maio 20, 2010 Nenhum comentário

Depois de estourar na internet, Fake Number fecha com gravadora e lança 2º disco

Fake Number

Foram 100 mil plays no MySpace do mais recente trabalho em menos de 48 horas. Há fã-clubes espalhados no Orkut com 60 mil integrantes. No Twitter, são quase 30 mil seguidores apenas no profile oficial. Não, não se trata de nenhum artista do mainstream nacional. A dona dos números tão expressivos é a Fake Number, banda formada em Lorena, no interior de São Paulo, que acaba de lançar seu segundo disco.

De fenômeno da internet, o grupo começa a aparecer também em outras mídias. É cada vez presença mais frequente em programas de rádio e TV. Tudo com a bênção do produtor Rick Bonadio, que tem em seu currículo trabalhos com Fresno, NX Zero, Mamonas Assassinas e muitas outras bandas de enorme sucesso. Bonadio tem a fama de Midas – aquele que transforma em ouro tudo o que toca – do novo rock brasileiro. À frente da Fake Number es-tá Elektra, garota de 20 anos que canta e compõe as letras, todas elas invariavelmente falando de relacionamentos que não deram lá muito certo.

O apelido, inspirado numa heroína dos quadrinhos, foi ela mesma quem se deu. “Uso desde a época do mIRC”, conta ela ao PLUG, lembrando do programa de bate-papo virtual que foi febre algum tempo atrás. Os outros componentes da banda também são conhecidos pelos codinomes: Pingüim e Gah nas guitarras, Mark no baixo e Tony na batera. O significado do nome Fake Number eles não revelam. É mais um charme que atrai a curiosidade adolescente.

Mas o fato é que Elektra, Tony e Pinguim, todos de Lorena, não imaginavam chegar tão longe quando se encontraram pelo Orkut, há pouco mais de quatro anos, e decidiram formar uma banda. Gah e Mark, então em São Paulo, iriam se juntar a eles um pouco mais tarde, quando o trio resolveu se mudar para a capital à procura de mais espaço. “Nessa época, já tínhamos gravado um CD independente, então já éramos um tanto conhecidos na internet e pelas outras bandas. Com is-so, conseguimos fechar vários shows de cara”, conta Elektra. O tal disco independente é “Cinco Faces de um Segredo”, lançado em 2007 e que rendeu um clipe na MTV e uma turnê por várias cidades do país, com direito a dividir o palco com bandas famosas.

Em 2009, a Fake Number ganhou os prêmios de “Melhor Banda Nacional”, “Melhor Vocalista”, “Melhor Clipe”, “Melhor MySpace” e “Melhor Comunidade do Orkut” do site Zona Punk e assinou contrato com a Arsenal/Universal Music. Esse era o fruto da semente plantada em 2006, quando Elektra e companhia gravaram uma música no estúdio Midas, de Rick Bonadio, com produção do conhecido Lampadinha. “Queríamos fazer uma gravação com boa qualidade e pagamos por isso”, revela a vocalista. “O Lampadinha gostou da banda e em 2008 ligou convidando para entrar na Arsenal”.

O contrato com uma gravadora mudou toda a estrutura do grupo. A começar pela gravação do novo CD, “Fake Number”. “O sucesso na internet é importante, mas ter o disco físico garante mais respeito das rádios e TVs”, avalia Elektra. Em recente entrevista para o programa “Pânico”, da rádio Jovem Pan, ela lembrou um episódio em que estiveram na emissora para tentar um contato com o apresentador Emílio Surita, que tratou os adolescentes-músicos com desdém. Desta vez, porém, tiveram direito a ocupar todo o tempo do programa. “Fomos ao Pânico porque temos gravadora e um CD comercializado por ela”.

Elektra afirma que sonha em “vender muitos CDs” e em ganhar um disco de ouro. “Apesar de saber que é difícil hoje por causa da internet”, pondera a vocalista, que acumula também outras funções na banda.

Ela gosta de dar palpites nas roupas de todos os integrantes, nas fotos e em tudo o mais que envolve a produção. Essa função fica mais importante à medida que vão sendo cada vez mais reconhecidos nas ruas e shoppings. “Normalmente as mulheres são mais certinhas e os meninos, mais largados”, justifica sua preocupação, acreditando que os vocais femininos são uma tendência que veio para ficar. Cita, como exemplo, o sucesso da baiana Pitty. “Antes rolava mais preconceito, mas hoje tem bem mais mulheres cantando em bandas de rock”. Para ela, a mulher pode acrescentar pitadas interessantes no trabalho. “As mulheres veem o mundo a partir de seu próprio universo”, filosofa.

Elektra diz que suas letras são sobre fatos que acontecem com ela, com pessoas próximas, com fãs. Retratam o momento. “As que mais gosto são as que escrevo de uma vez só, sem pensar muito”.
Se as letras são exclusividade dela na Fake Number, as músicas são uma criação coletiva. As influências vêm de bandas como Charlie Brown Jr., Blink 182 e Paramore. Não que eles não gostem de sons mais antigos. “Gostar é uma coisa, ser influenciada é outra”, argumenta Elektra. “Nosso som é totalmente atual”. Reflexo direto disso é a faixa etária dos fãs, a grande maioria adolescente. A vocalista, entretanto, acredita que esse público tende a se diversificar. “Tem a galera mais nova que está chegando à internet e os mais velhos que estão conhecendo agora”, aposta.

Mas, seja lá qual for a idade dos fãs, eles esperam ansiosos pelos shows da nova turnê, aberta no último dia 14, com uma apresentação na casa noturna Hangar 110, em São Paulo. Para o público do interior, Elektra manda um recado: “Estamos fechando vários shows por aí!”.

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