Mente Sadia:Garotos
Abril 15, 2010 Nenhum comentárioNo supermercado, próximos aos caixas, de frente para um dos espelhos da coluna, estavam dois garotos, de aproximadamente 9 anos cada um. Riam espontaneamente – e como é bom isso – das gracinhas que faziam.
Entrei na brincadeira, a princípio comentando dos personagens de caretas refletidos no espelho, depois também fiz algo que eles não conheciam, mas logo trataram de imitar. Foram ainda maiores os risos.
Enquanto brincávamos, dois casais no caixa ao lado, entretidos em passar as compras, pouca importância davam aos “meninos”, a não ser o único comentário de uma das mulheres (mãe?), se referindo a um deles: “Você não vai conseguir!”. E não é que ele conseguiu imitar-me, para a alegria de todos!
Que bom que crianças saudáveis, quando desacreditadas, desalentadas, não se dão por vencidas de imediato, tentam outra vez, insistem em superar a si mesmas, se preparando assim para o futuro, que de uma forma ou de outra exigirá atitudes criativas de superação.
Crianças com autoestima rebaixada, sem vigor, tomadas de estados depressivos ignorados pelo mundo adulto (que as acham “boazinhas”), desistem facilmente dos desafios, incorporando à sua personalidade o negativismo, a passividade, a desistência em lidar com pessoas e situações por se sentirem inferiores, incapazes. Adoecem com facilidade, aumentando ainda mais o grau de sofrimento e marginalização.
Outro exemplo de criança sadia foi o encontro que tive com Rhaissa, de 9 anos. Trocamos olhares, breves falas, em pouco tempo já éramos “amigos”.
Rhaissa me conta que tem uma irmã com o dobro da sua idade, a qual sempre se recusa a brincar com ela de Barbie, e outras coisas, ficando horas no computador, jogando.
Prossegue ela: “Mas, também, quando é pra ela estudar e ela fica no computador, eu conto pra minha mãe, que dá bronca nela, aí eu gosto!”.
Comentei: “Ah, entendi! Você se sente vingada, não é, por ela não brincar com você!”.
Com a carinha mais linda do mundo, Rhaissa ri, confirmando minha “dedução”.
Ser criança é isso, ser espontâneo, verdadeiro com os outros e consigo mesmo, sem disfarces de ser bonzinho, quando está se consumindo de raiva. Raiva esta compreendida e expressa sem causar grandes danos, logo passa, dá lugar a outros acontecimentos, como o voltar a brincar, se relacionar sem mágoas, livre de ressentimentos e sentimentos de vingança.
Temos muito a reaprender com as crianças.
