Mente Sadia: Nossa Senhora
Abril 30, 2010 Nenhum comentárioPor tradição e herança religiosa, tem sido comum as pessoas pedirem ajuda ou mesmo agradecer a Deus, ou pedir algum favor em especial ao Santo indicado para a necessidade.
Dia desses, fui surpreendido com mais uma Nossa Senhora. Trata-se da “Nossa Senhora da Bicicletinha”, evocada sempre que for necessário manter o equilíbrio.
Engraçado, a princípio, mas se nos perguntarmos quantas vezes sofremos por falta de equilíbrio, logo perceberemos o quanto nos faltou “orar para Nossa Senhora da Bicicletinha” nos momentos difíceis.
O desequilíbrio emocional talvez seja o principal fator das nossas desgraças. Porém, nem sempre conseguimos “tirar de letra” as dificuldades ou situações que nos exigem bom senso, discernimento, assertividade – principalmente quando somos pegos de surpresa.
Sentado no banco da praça, aguardando a abertura do teatro, fui, como muitos, abordado por rapazes pedindo dinheiro, pois se intitulavam moradores de rua. Na negativa em dar dinheiro, houve reações de inconformismo, como se tivéssemos obrigação.
Dei-me conta de que se tratava de um grupo de pessoas; uns adormecidos pelos bancos, outros “olhando” carros em troca de dinheiro – que lhes é dado mais para se ver livre dos incômodos, do que pelo reconhecimento do trabalho -, outros pediam ajuda para comprar “um marmitex”.
Parece que ser morador de rua passou a ser um meio de vida, assim como explorar a imagem de pequenas crianças sujas pelas ruas da cidade.
Morar, segundo o dicionário, é ter residência; habitar; residir. Parece que as ruas não são apropriadas para essa prática, seu destino é outro.
Pois “rua”, segundo o mesmo dicionário, é uma via pública para circulação urbana, não um local de moradia.
Ou mudamos o dicionário, ou buscamos alternativas, juntamente com o poder público, para inviabilizar o aumento desse comportamento, que constrange a população no momento de fazer suas compras, pagar seus impostos e ter algum momento de lazer.
Peçamos a Nossa Senhora da Bicicletinha que nos dê equilíbrio a todo o momento, principalmente quando nos sentimos irritados, para que possamos, mais do que reclamar, ter atitudes que de alguma forma possam melhorar o mundo no qual vivemos.
Imagine se todos nós decidirmos morar na rua! Pois são muitos os benefícios: seríamos livres; não pagaríamos impostos; não nos preocuparíamos em ir ao supermercado; carro, IPVA, IR, IPTU, CR…; sindicatos; ajuda à APAE; associação… Não precisaríamos brigar com as companhias telefônicas; horários para isto, aquilo, etc.
É bom nem pensarmos muito, pois corremos o risco de acharmos que eles é que estão certos!
