Edson lança seu 1º CD após encerrar a dupla com o irmão Hudson
Abril 30, 2010 Nenhum comentário![]()
Desde que se conhece por gente, Edson esteve no palco. Ao lado dele, sempre contava com a presença de seu irmão Hudson. Isso mudou neste ano. Edson continua se apresentando para plateias com milhares de pessoas, mas Hudson já não está mais com ele. Após uma turnê de despedida que durou todo o ano passado, os irmãos tomaram cada um seu rumo. Hudson, que vinha a cada dia deixando mais clara sua veia roqueira na dupla, foi cuidar da banda que formou.
Edson, que estava se ressentindo por constatar que a dupla vinha se distanciando do sertanejo, segue na sua praia. Ele acaba de lançar “Edson e Você”, disco no qual exibe uma mistura de vários ritmos ligados à música sertaneja. São 10 faixas que abrigam composições do próprio Edson e versões de sucessos internacionais. E abrem espaço também para algumas participações, sendo a mais inusitada a de Pelé, numa canção que aposta na Copa do Mundo para estourar.
Sobre o novo trabalho, o primeiro sem Hudson, o “limeirense” Edson conversou com o PLUG.
Você afirmou que, especialmente no último disco que gravou com o Hudson, estava se sentindo o “crooner” de uma banda de rock. Afinal, como estava a relação entre vocês para chegar ao ponto de decidirem pela separação?
Em 2008, anunciamos a separação e fizemos uma turnê de despedida durante 2009, até como forma de agradecimento ao nosso público. A principal causa da nossa separação foi mesmo essa diferença musical. Sempre vou me assumir como cantor sertanejo, essa é a minha praia. Gosto de outros estilos, tanto que a gente sempre teve uma pitadinha de rock´n´roll nos nossos CDs. Mas a guitarra acabou passando um pouco dos limites. Não foi culpa minha nem do Hudson, foi uma questão de cada um querer seguir aquilo em que acredita. Estava virando uma discussão profissional que não iria acrescentar nada e ainda corríamos o risco de cair no marasmo que muitas duplas já caíram. Então preferimos nos separar no auge.
Então as divergências entre vocês foram exclusivamente artísticas?
Toda separação, inclusive de uma dupla de irmãos, que cantaram juntos durante 30 anos, gera um desgaste, que pode ocasionar briguinhas momentâneas, nada além do limite. No nosso caso, tivemos que separar uma empresa, período em que aconteceram desgastes. Mas hoje está tudo normal. Estou com a carreira a mil por hora, sou um artista respeitado em nível nacional. E o Hudson também está seguindo a carreira dele, com um trabalho muito legal. A fase pior já passou. Estou na torcida por ele e acredito muito que ele também esteja na torcida por mim.
Desde crianças, vocês sempre trabalharam juntos. Como está sendo a experiência de gravar um disco e fazer shows sem o Hudson?
Dois dias depois de fazer meu último show com o Hudson, na avenida Paulista, fiz meu primeiro show sozinho. Então praticamente não parei. Os primeiros shows foram difíceis, porque sentia falta do meu irmão. Musicalmente falando, supri essa ausência com músicos talentosos, backing vocal masculino, o show ficou lindo. Como sempre fui eu quem chamou a plateia, que sou o compositor de 80% dos grandes sucessos da dupla, para mim ficou mais fácil. Esses sucessos continuam na minha turnê. Mas nos primeiros shows sozinho cheguei a reclamar que o Hudson estava atrasado, até me lembrar que ele não estava mais comigo. Aí um ponto fundamental foi o abraço do público, no país inteiro. Meus shows têm estado sempre lotados.
Seu primeiro CD solo tem um mix de ritmos. Sua ideia foi realmente apresentar os estilos dos quais você gosta, as suas influências?
Inclusive comentei com o Zezé (Di Camargo) que nós, sertanejos, somos privilegiados, porque podemos ousar. Podemos gravar um sambinha, um forró, um rock country. Imagine uma banda de rock cantar uma música sertaneja. Nosso público aceita muito bem essas ousadias. Nesse disco, fiz o que a gente fazia antigamente nos CDs do Edson e Hudson, uma mistura de ritmos. Gravei até um maracatu. Meu CD tem a cara que a dupla Edson e Hudson sempre teve.
O disco tem as esperadas composições suas e também versões para músicas estrangeiras. Como foi a escolha das músicas?
As minhas músicas passam por uma peneira, escuto a opinião de várias pessoas. Não forço a entrada de nenhuma delas nos meus discos. E gosto de fazer versões. Eles não dão lucro nenhum como autor, mas te dão muito satisfação, porque você acaba encontrando ideias diferentes.
Mas o mais inusitado deste disco foi a participação do Pelé. Como de se deu esse encontro, às vésperas da Copa do Mundo?
Pensei realmente na Copa. Eu e meu produtor, o Flávio Alencar, começamos a fazer a música “Sou Brasileiro”, que nos deixou emocionados, porque imaginamos multidões cantando, mas paramos na metade. Aí me lembrei que havia escutado um amigo falar que conhecia o Pelé e me recordei da música. Falei com ele e, duas semanas depois, o Pelé me ligou. Até achei que era trote, o cara é um ídolo mundial. Mas descobri um cara que tem uma humildade que vi em poucas pessoas. Pedimos para ele terminar a música e, para minha grande surpresa, ele também cantou no disco. No final, ficou lindo, com uma interação bacana.
Como foi a escolha dos personagens que fizeram as outras participações: seu pai, o Zezé Di Camargo e o Carlinhos “Mendigo”?
Foi tudo na emoção. O Zezé passou por um problema de voz, teve que fazer uma cirurgia. Ele se recuperou e fiz “Quem Canta Não Para?”, que serviu tanto para mim quanto para ele. Ele porque quase teve que parar de cantar e eu por causa da separação do Hudson. O Carlinhos é muito meu amigo há muitos anos. Na porta de uma balada, vi uma menina muito bonita e disse para ele: “Olha, aquela ninguém pega”. E ele: “Aaaah, taaah”, com a voz do Mendigo. Isso virou uma música e acabei convidando ele para cantar comigo. E meu pai dispensa comentários. Foi ele que sofreu, que nos incentivou.
Como tem sido seu relacionamento com Limeira?
Moro em Limeira há 28 anos. Por conta da correria, não paro muito aqui. Mas posso dizer que é minha terra, sou cidadão limeirense. Infelizmente, não tive o privilégio de nascer aqui, mas nasci numa cidade muito bonita, São José do Rio Pardo. Limeira nos recebeu de braços abertos. Amo Limeira.
