Estudo contraria a noção de que os portadores de deficiência têm vida assexuada

Março 11, 2010 Nenhum comentário

Estudo contraria a noção de que os portadores de deficiência têm vida assexuada

A psicóloga Ana Cláudia Bortolozzi Maia, da Faculdade de Ciências, campus de Bauru da Unesp (Universidade Estadual Paulista), desenvolveu um estudo sobre sexualidade e deficiência física a partir de depoimentos dos próprios portadores de necessidades especiais.

Os relatos contrariam a noção de que os portadores de deficiência têm uma vida assexuada e infeliz. Os participantes demonstraram levar em conta as limitações causadas pela deficiência, mas sem abrir mão da satisfação no trabalho e nas relações afetivas e sociais.

As conclusões estão no projeto de pós-doutorado de Ana Cláudia, “Inclusão e Sexualidade: análise de questões afetivas e sexuais em pessoas com deficiência física”, concluído em 2009. A pesquisa foi realizada no Núcleo de Estudos da Sexualidade e no Laboratório de Ensino e Pesquisa em Sexualidade, da Faculdade de Ciências e Letras do câmpus da Unesp de Araraquara, e contou com a supervisão do professor Paulo Rennes Marçal Ribeiro.

Foram entrevistadas 12 pessoas com impossibilidade ou dificuldade de andar. Em todos os casos, foi verificado o interesse pelo relacionamento amoroso e sexual. “São pessoas com boa autoestima e que reconhecem a limitação física como integrante de sua condição pessoal”, afirma a pesquisadora.

Para ela, essa autoimagem positiva se deve ao tempo prolongado de convívio com a deficiência, que faz com que usem bem a cadeira de rodas ou vejam a muleta como parte do próprio corpo.

O grupo pesquisado é formado por pessoas casadas, que namoram ou têm parceiros eventuais, e também por outros que não praticam sexo regularmente ou são virgens. Foi comum encontrar casais em que ambos são portadores de necessidades especiais, o que se deve ao intenso convívio entre eles em clínicas e escolas.

Os que tinham filhos, em geral, tiveram antes da deficiência. A estudiosa explica que o número pequeno de filhos da amostra tem relação com o fato de muitos serem jovens e ainda não terem planos sobre maternidade e paternidade.

Quase todos trabalham e alguns também estudam. A independência conquistada pela profissão os ajuda a romper com a recorrente superproteção da família, além de dar acesso a facilidades, como comprar um carro adaptado ou ter condições de viajar. “Há a percepção de preconceito e discriminação, mas, em geral, eles pareceram lidar bem com isso”, diz a pesquisadora.

A relação sexual, nesses casos, pode requerer alguns cuidados especiais, como a aplicação de lubrificantes para as mulheres e o uso de medicamentos orais ou intravenosos para a ereção do pênis. Também pode ser necessário esvaziar a bexiga antes do ato e adaptar posições. “Eles aprendem sobre essas técnicas com outros deficientes ou experimentando o contato com amigos e namorados”, afirma Ana Cláudia.

Tanto a família quanto os próprios portadores de necessidades especiais fazem perguntas aos médicos, mas encontram pouco esclarecimento. Para a pesquisadora, isso acontece por dificuldades de prognóstico e por falta de preparo e conhecimento por parte dos profissionais de saúde.

Em geral, os homens querem saber se poderão ter ereção, orgasmo e ejaculação. No caso de deficiência adquirida, comparam o desempenho sexual atual com o que tinham antes do acidente. As mulheres, em geral, têm dúvidas em relação ao orgasmo, à fertilidade e a possíveis problemas reprodutivos. “É curioso ninguém ter comentado sobre a masturbação, que representa uma forma de conhecer melhor as sensações e o próprio corpo”, diz.

Um comportamento comum entre os familiares é achar que o deficiente não tem interesse por sexo, namoro e casamento.

Uma jovem que participou do estudo conta que sua mãe não se importa quando ela sai com amigos homens, mas controla sua irmã mais nova, como se o contato dela com rapazes fosse assexuado e sem intenções eróticas, ao contrário da irmã não-deficiente.

Vejam também

SAÚDE E BELEZA

Deixe uma resposta

(obrigatório)

(obrigatório)


Spam Protection by WP-SpamFree

Legião Urbana é homenageada em tributo da MTV Brasil

A MTV Brasil se prepara para realizar um tributo único e surpreendente para homenagear a maior banda de rock...

Norah Jones lança disco inédito com colaboração de Danger Mouse

Com Little Broken Hearts, seu novo disco com a colaboração de Danger Mouse, Norah Jones expandiu sua música, caracteristicamente...

Jota Quest estará no Festival João Rock

Os mineiros do Jota Quest estão confirmados entre as atrações da maratona de pop rock promovida pelo João Rock...

Veja sua galera aqui!

Acesse aqui e veja outras fotos da sexteira com DJ Freeway

Filminho da semana: Sherlock Holmes 2

Com Robert Downey Jr., Jude Law, Noomi Rapace Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.) continua desenvolvendo novos disfarces e maneiras de...

Corpo Sadio: Check-up – o que checar?

Nós, médicos, muitas vezes nos deparamos com a seguinte situação: o paciente chega para a consulta e solicita: “Doutor,...

Dica da CI: Concursos

Quer viajar de graça? A CI está cheia de novidades superbacanas para ajudar você a descobrir Qual é o...

Pesquisa mostra que consumo de bebidas alcoólicas pode ser mais precoce entre mulheres do que entre homens

Uma pesquisa da Faculdade de Medicina do campus de Botucatu da Unesp (Universidade Estadual Paulista) constatou que o consumo...

Mente Sadia: Terceirizando a responsabilidade

Mantendo a mesma linha de raciocínio das colunas anteriores, nesta aprofundaremos ainda mais a importância de buscar manter a...

Francamente: Carolina e os funkeiros

“Se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará”. É isso o que diz um adágio conhecido como a...