Sangue de cordão umbilical diminui o tempo de espera por transplantes
Janeiro 28, 2010 Nenhum comentário![]()
Desde a década de 90, o sangue de cordão umbilical tem sido uma fonte de células-tronco com características que facilitam a sua utilização no transplante. As células obtidas através desta técnica vêm sendo utilizadas em modelos terapêuticos onde é indicado o transplante de medula óssea. De acordo com a diretora do banco de sangue de cordão e serviço de transfusão da Unicamp, Ângela Cristina Malheiros Luzo, a possibilidade das células-tronco provenientes do sangue de cordão serem utilizadas sem total compatibilidade com o paciente e o fato de poder usar duas bolsas de diferentes doadores em uma mesma pessoa são as facilidades do sangue de cordão. “Esta técnica tem sido atrativa, mas não tira o lugar da medula óssea como importante fonte para o transplante”.
Recentemente, o “Jornal Nacional”, da TV Globo, veiculou uma matéria afirmando que cientistas de Seattle conseguiram, através de uma proteína, aumentar o pequeno número de células-tronco existente num cordão umbilical. Com isso, seria possível a multiplicação em 150 vezes da quantidade dessas células, produzindo o suficiente para suprir as necessidades do paciente. “Em um primeiro momento, a quantidade de células-tronco era suficiente para crianças, mas não para um adulto acima de 70 kg. Nos últimos anos, os adultos puderam ser beneficiados com a utilização de duas bolsas de sangue de cordão de diferentes doadores num mesmo paciente, o que diminui o tempo de espera na fila pele transplante. Na realidade, a utilização de duas bolsas proporcionou à utilização de sangue de cordão em maior escala. A notícia do grupo de Seattle é importante, mas é realizada em laboratório, demandando um certo tempo para sua realização, enquanto a utilização de duas bolsas seria mais impactante para diminuir o tempo de espera para a realização do transplante”, diz a diretora.
A tecnologia utilizada em Seattle vem sendo trabalhada em vários centros mundiais e é baseada na expansão das células-tronco do sangue de cordão umbilical sem perder a capacidade de auto-renovação destas células. “Não sabemos detalhes desta tecnologia, porém as informações que temos são de que pode ser obtido através da ativação de uma via de sinalização denominada ´notch´, descrita em 2000 pelo mesmo grupo de pesquisadores. Esta manipulação in vitro parece manter a autorrenovação com mínima diferenciação para células maduras com expansão, como já dito anteriormente de 150 vezes. Sem dúvida, este princípio pode ajudar em transplantes futuros em adultos e o que foi feito é um estudo clínico de fase I com 10 casos”, complementa o presidente da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, Cármino Antonio de Souza.
