Francamente: Tão menina, e já uma moça
Janeiro 21, 2010 Nenhum comentárioCatarina, minha filha, acaba de completar 12 anos. Está deixando de ser criança, ainda que ela mesma relute em sair da infância. Compreensível, ser criança é uma delícia. Eu, por exemplo, lembro-me que, quando pequeno, sonhava ser como Peter Pan, a quem foi reservado o privilégio de nunca se tornar adulto. Mas a vida nem sempre imita a arte e cá estou eu, cheio de fios brancos pipocando nesta barba mal feita, vendo, resignado, meus filhos crescerem muito mais rápido do que eu gostaria.
Olho para a Cacá e tento enxergar nela aquela garotinha que, de sandálias e lancheira, ia toda feliz para a escolinha. Mas as formas que seu corpo vai tomando, as roupas adolescentes, os penduricalhos cada vez em maior quantidade e até o lápis preto que lhe faz sombra nos lindos olhos cor de mel tornam essa tarefa cada vez mais difícil. Ela, definitivamente, já é uma mocinha. E, com o perdão da corujice, de uma beleza fascinante.
Cacá entra nessa nova fase de sua vida passando por aquele misto de insegurança, estranha-mento e encantamento que todos nós experimentamos um dia. Alterna a euforia ativada pelos hor-mônios da juventude com o recolhimento, fruto da confusão que causa tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo. Às vezes, pede o aconchego que só o colo dos pais oferece. Outras, dá a impressão de que gostaria que estivéssemos bem longe.
É, enfim, uma pré-adolescente como qualquer outra. Trocou os desenhos animados pelos filmes de vampiros românticos. Aliás, hoje eles são diferentes daqueles do meu tempo… Das revistinhas em quadrinhos, pulou para livros grossos de ação e mistério. As canções cheias de bichinhos e suas onomatopeias deram lugar às músicas dançantes das estrelas do pop.
E eu vou acompanhando tudo isso sem saber muito bem o que sentir. Algumas vezes, sinto muita saudade daquela garotinha loirinha que adorava dançar nas apresentações de sua escola. De quando eu, cheio de preguiça, achava um tantinho de animação para improvisar uma brincadeira no tapete da sala. De embalá-la em meu colo enquanto ela dormia babando o leite da mamadeira. Mas também me pego admirando cada gesto, cada palavra que vem da Cacá. Agradecendo por vê-la desaflorar para uma vida ainda tão no comecinho. E esperando que, ao menos de vez em quando, ela se permita, como eu, voltar a ser criança.
