Francamente: Pobres japonesas carnívoras
Janeiro 29, 2010 Nenhum comentárioEste mundão velho não cansa de me surpreender. E boa parte das notícias esquisitas que me chegam vem do estranho Japão. Agora a onda por lá são os “garotos-herbívoros”, uma turma que não é gay, mas não está assim tão interessada em mulher e outros objetos de desejo caros aos machos de nossa espécie. Aí sim fui surpreendido novamente, eu diria, imitando o bordão do Zagallo que o “Globo Esporte” colocou na boca de todo mundo que vai ver os gols pós-almoço.
Foi na “Superinteressante” que tomei conhecimento dos tais herbívoros. Uma nota na revista dava conta de que a Capcom, uma fabricante japonesa de videogames, está empolgada com o sucesso do jogo “Sengoku Basara” entre as mulheres. A análise que os executivos da empresa fazem do fenômeno é de que as japonesas estão na verdade entusiasmadas com os samurais que protagonizam o game. Eles são guerreiros, são fortes, são viris. Tudo o que elas esperam de um homem “de verdade”.
Mas, se nas telas as japonesas veem o homem que gostariam de ter na cama, na vida real se deparam com os tais garotos-herbívoros, que não estão nem aí com os anseios femininos, não se importam de continuar virgens aos 20 ou até 30 anos e torcem o nariz para a ideia de se casar. Querem mais é fazer compras, sair com os amigos e outros programas do tipo. Uma pesquisa mostra que 60% dos japoneses na faixa dos 20 anos se classificam como herbívoros em algum grau. O termo, inventado pela colunista Maki Fukasawa, vem do conceito de relação carnal associado ao sexo. Portanto, quem não gosta de “carne” é considerado herbívoro.
Claro que várias teorias tentam explicar o fenômeno. Dizem que sustentar uma relação afetiva, ou economizar para ter um car-rão, ou aspirar ao cargo de gerente demanda muito tempo e dinheiro. E também que, com a baixa taxa de natalidade no Japão, a concorrência vem diminuindo, e, com ela, o instinto competidor do macho. São suposições. Mas as consequências de uma geração de homens tão desinteressados pode ter reflexos práticos, é óbvio.
Um deles: pouco sexo pressupõe taxas de natalidade ainda menores, e uma população cada vez mais velha. E o humor das japonesas deve estar piorando bastante. Afinal, homem sensível pode ser bom. Mas na hora do “vamos ver”, elas também gostam de algo mais, digamos, masculino.
