Mente Sadia: O efeito da arte
Outubro 30, 2009 Nenhum comentárioHá quem se diz indiferente ao cinema, às exposições, às pinturas, às esculturas e outras formas de manifestações artísticas.
Bem, confesso que também já me deparei com obras de arte importantíssimas e tive a sensação de extrema ignorância, pois elas nada me diziam. Noutras ocasiões, fiquei em estado de êxtase, sem saber o que dizer, pois as sensações evocadas por aquilo que vira até então não tinha sentido, portanto não tinha como nomeá-las.
Um exemplo disso ocorreu uma vez que estive na Grécia, após ter apresentado um trabalho em Lisboa, sobre a eficácia do tratamento em grupo com pacientes internados.
Além de ter a sensação de ter entrado no túnel do tempo e caminhado para o passado, andando pelo Jardim das Oliveiras, pelos grandes templos cons-truídos com pedras, erguidos sabe-se lá como, em homenagem aos deuses Atenas, Possei-dom, Zeus, passei por uma avenida em que havia uma “escultura” em lâminas de vidro com uns três metros de altura. Visivelmente o que se via era um homem correndo. Pelo que soube, o nome da tal obra de arte é O Homem ao Vento.
Era essa mesmo a sensação. Parecia um homem correndo a tal velocidade que suas silhuetas se confundiam com a visão do vento passando por ele.
De tudo que vi e senti, esta foi a emoção mais forte. Penso que foi a partir desse momento que compreendi o significado da arte.
Ela nos toca na alma, nos sentidos, nas emoções, nos momentos em que estamos mais desarmados dos nossos pensamentos e discernimentos.
Foi assim que ocorreu recentemente ao rever o filme “Ensaio sobre a Cegueira”, um drama construído em bases “reais” – a cegueira -, mas subjetivamente – quando desarmados de pré-visões -, “nos” põe a sentir, e depois a pensar, no quanto podemos estar cegos para as coisas mais importantes da vida.
“Nos” faz refletir no quão ignorantes somos e nos mantemos quando valorizamos conceitos e pré-conceitos, forjados por uma cultura que valoriza o aparente em detrimento das verdades individuais.
Não devemos nos envergonhar de ficarmos boquiabertos quando surpreendidos pela arte, pois ela enriquece nossa alma, nos faz mais sensíveis no nosso lado subjetivo, de onde brotam as emoções, as intuições, as percepções “extrassensoriais”, que embora estejam presentes o tempo todo, são negadas por uma cultura do consumismo, que valoriza o ter em detrimento do Ser.
