Mente Sadia: Momentos

Outubro 22, 2009 Nenhum comentário

Nem precisamos recorrer às previsões do passado para imaginarmos como seria a sensação de o tempo passar mais rápido. Estamos sentindo na pele este fato.
Por vezes, buscamos controlar o tempo, noutras por ele somos controlados e nos damos conta de tantas coisas que fizemos e de tantas outras que gostaríamos de fazer, mas “não temos tempo”.

Com tantas tecnologias, o homem fica cada vez mais escravo do tempo. Os equipamentos aumentam as chances de comunicação, transmitem em tempo real o que acontece do outro lado do mundo, e mesmo assim estamos cada vez mais solitários. Seria o sinal dos tempos? As facilidades da internet, os grupos de amigos, salas de bate-papo aproximam pessoas e distanciam os afetos, pois à distancia podemos sim ter muitos amigos – mas que amigos mesmo são esses?

São amigos do imaginário, das carências, das fantasias, do mundo do faz-de-conta, e alguns que de fato se tornam verdadeiros amigos.
A cada momento, podemos conhecer pessoas, ou o que imaginamos delas, mas também podemos nos passar por alguém que não somos, só para sacanear, ou mesmo para naquele momento sermos o que gostaríamos de ser e não somos.

O fato de sermos seres racionais e, portanto, pensantes, nos abre um leque de possibilidades para atuarmos no mundo. Contudo, quando as coisas estão difíceis, podemos invejar os animais irracionais, os quais não experimentam as crises existenciais que nós, humanos, experimentamos.
Nós temos consciência da nossa finitude. A cada notícia de morte, sem querer, nos chocamos, principalmente quando se trata de pessoas próximas, ligadas afetivamente.

Nos chocamos não só pelo fato da perda do outro, mas também porque nossa percepção nos faz cônscios de que também um dia iremos morrer. Os animais não, eles apenas vivem o momento, o tempo de vida, sem se preocuparem com o amanhã, com a aposentadoria, com o plano de saúde, com as doenças, com a velhice, com a morte. Talvez por isso sejam mais estáveis emocionalmente e menos acometidos pelo mal do século: a depressão.

Sejamos razoáveis, vamos aproveitar a vida em vida; nada de deixar para o futuro, para a aposentadoria, para depois que enviuvar, para a próxima encar-nação, para depois da ressurreição, o que de bom ela nos oferece.
Vamos viver o momento, o nosso momento, e não o do outro, pois o nosso tempo desperdiçado ninguém vai poder nos devolver. Tenhamos sido bonzinhos ou malzinhos, ele se esgota de qualquer forma.

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